terça-feira, 27 de março de 2012







[imagem de A. L. feita do celular]

duzentos e oitenta e sete quilômetros separam a realidade do pesadelo, sem distinção. sai vazia e seca. a caminho do ritual nefasto, a estrada tantas vezes à ida pressentida da não volta, a dar voltas na vida e a pegar desprevenidas as mãos em abandono, surpreende e compara-se ao ferro com liga de carbono. prepara-se o corpo para mais um antepasto, abre-se a carne e enfia-se uma agulha até ao osso. não sangra. não dói. as horas a pingar em gotas de náuseas e a sonolência enleva-se à paisagem de brancas nuvens. depois o sono despertado pelas vertigens e vômitos, e a parir a verborragia arrastando as palavras dentro do estômago como se fossem filhos a sair da vagina arrebentando-lhes as entranhas até rasgar o intestino. não grita. nenhuma dor física é maior que a propriedade de saber-se dela a dor e de mais ninguém. finge sorrir. vale tudo. até submergir da revelação para o naufrágio da aparência a fugir da carne como se não fosse sua. ou dela. sabe que o tempo é marcado e acreditando que é a última vez que seu peito suporta tanta pressão, contendo um ar que parece que vai explodir, ainda vai sorrir com mais convicção. de fingimento. na volta, e se antes do medo, há de ser do pesadelo acordado à serenidade do espírito e do corpo, ainda que dolorido. e porque confia que só mesmo um poema de cura para salvá-la de si mesma, está escrito.

Um comentário:

  1. É preciso acreditarmos em nós... onde tudo começa!
    Aí é que é decisivo termos a capacidade de sorrir que tanta falta nos faz.
    Façamo-lo... por nós apenas.
    Beijos,

    ResponderExcluir