sexta-feira, 5 de agosto de 2011









vejo um rapaz conversando sobre seu dia com a namorada, ou mãe, talvez um irmão mais velho. também observo uma menina de seis anos, ou menos, manuseando um computador. mais acima, há uma persiana que não me permite determinar com exatidão que cômodo é aquele, talvez uma sala de estar, ao seu lado, uma varanda, o que faz com que minhas suspeitas sobre a sala se confirmem. permaneço na mesma posição por alguns minutos, com medo de que se fosse vista, ser acusada em fragrante delito. penso no meu olhar, curioso. penso nas muitas janelas que se abrem e se fecham todos os dias diante de nossos olhos, e que por algum motivo, não damos a importância devida. ou a não importância. lembro-me de que há um motivo, e justo, para estar ali, àquela hora, observando a vida, ainda que, através das janelas. respiro aliviada. alguém me chama, respondo que já vou, e vou. não antes de registrar a cena e tomar a devida precaução em fechar a minha própria janela.