enquanto o amor se espalha entre os corpos que se amam e se entregam, em mares ou leitos, sob um terno e envolvente luar, ou sob a chuva ou um céu de estrelas, no romance que enlaça e no abraço, no laço, que tanto conforta quanto provoca, alguma coisa acontece aqui.
é verdade, acontece.
enquanto a medicina paliativa existe para melhorar a qualidade de vida de pacientes terminais e a esperança nasce e renasce todos os dias nos corações dos homens, alguma coisa acontece aqui.
enquanto a humanidade sofre as consequências da desarmonia da natureza e não se preocupa em promover ações de defesa de interesses ou de direitos coletivos, alguma coisa acontece aqui.
enquanto a tecnologia atravessa oceanos, encurta distâncias, aproxima as pessoas, as cartas são substituídas pelos e-mails e o conhecimento necessário é cada vez mais aprimorado, alguma coisa acontece aqui.
enquanto o amor se faz e se desfaz, alguma coisa também acontece aqui.
às vezes o medo vence, outras vezes explica, e enquanto isso, de olhos abertos ou fechados, entre a força e a coragem, a alegria e a entrega, ou a submissão, alguma coisa acontece aqui.
enquanto o desejo nasce dos beijos úmidos de carícias, a pele arrepia e perde-se os sentidos, alguma coisa continua a acontecer por aqui.
numa distância que não favorece o encontro, no toque das mãos que não acontece e no abraço que não enlaça... anoitece... e o corpo, acostumado à própria companhia, resiste e também acontece.
por aqui.
A distância...há distância...distâncias que impedem o encontro, distâncias reais, distâncias criadas pelos medos...
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