domingo, 3 de agosto de 2014







uma conta, onde a ironia, é a soma de toda a indiferença...

quinta-feira, 31 de julho de 2014







abrevio o sorriso, a serenidade e o tempo de espera. e submerjo no silêncio infinito das linhas pontilhadas...

quarta-feira, 30 de julho de 2014







a vida segue depressa. na correria dos dias sem tempo. corpo e pele já não são dois ramos de uma mesma árvore. conhecem o voo dos pássaros, os gritos de dor, mas não reconhecem as estações do ano pela cor da paisagem.

terça-feira, 29 de julho de 2014







há coisas que não compreendo. simplesmente. outras, que por mais que busque por uma compreensão, não alcanço. há coisas que me faço de cega. ou surda. porque não tenho opção. e há coisas pelas quais não desisto. nunca. de acreditar, ou duvidar. pelo meio, entre uma coisa e outra, vou sorrindo. como se me enganasse, lúcida, que o maior desafio já venci. o da compreensão, necessária, sobre as coisas que nada posso fazer. 

quarta-feira, 9 de julho de 2014







Esperou por ele toda a sua vida, e mais um pouco. Esperou pelo perfume de sua pele. Pelo tom de sua voz e pelo gosto de seu beijo. Esperou pela tatuagem no dedo anular em forma de estrela. Pela carta de amor esquecida sobre a antiga escrivaninha depois de um dia qualquer de desigualdades. Também esperou pela luz de seu olhar refletida em seus olhos e pela simplicidade de seus gestos. Esperou. E esperou até não se cansar. E continuar esperando. Pelo tão esperado abraço que acabaria de uma vez por todas com toda aquela distância. Sem demora. E foi dele vida toda. De espera.





ft celular

um recorte na paisagem, e por mais que tentamos acreditar que não há mudanças... sempre há.

terça-feira, 8 de julho de 2014







choram... as folhas.

segunda-feira, 7 de julho de 2014








mais um ano. e outro tal. tudo igual. se antes os sonhos, já não há mais sonho. sigo, sem perseguir a vida. só por seguir. calando palavras. e gestos. só porque sim. ou porque compreendo que a covardia está em viver. morrer é ato de coragem. coisa que nunca soube ser. 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

segunda-feira, 16 de junho de 2014







quando deixei de te amar, também deixei de me amar...

domingo, 15 de junho de 2014

quando Junho se foi...







desfez o Tempo confidente das memórias num rascunho de papel passado em sílabas fugidias. e vogais homicidas. sagrado ofício anônimo de um templo nefasto de palavras prometidas à terra bruta. asas suicidas à travessia de frases perdidas num enredo pérfido. e mórbido. salubre, a deserção. e os sonhos. vazios de ilusão.

domingo, 25 de maio de 2014








procuro as asas, o voo, o caminho das flores, ou do céu. palavras que me elevem, e me levem. um olhar dentro da paisagem, e a paisagem dentro da viagem.

quarta-feira, 14 de maio de 2014








e fico. com as asas em chamas a incendiar velhas novas folhas.

domingo, 6 de abril de 2014






[ft celular]

de folhas também se vive... e cresce. respira. trabalha. ama e é amado. ou não. e morre.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Viver aperta...







Noite de frio onde o corpo não se aconchega. A solidão é tanta que faz crescer água na boca. E as mãos, em abandono, procuram refúgio na comunhão do verbo com a oração. Nenhuma frase nasce sem que a presença do pronome exista para ampliar a paisagem. E a cada nova tentativa, mais estreita eu me torno.

domingo, 23 de março de 2014






Vivo o essencial. Um corpo. Uma roupa. Ou outra. Um tênis. Uma sandália. Ou duas. Uma bolsa. Em uso. Uma mala. Bem leve. Como pouco. E nas horas certas. Às vezes, nas incertas. Falo pouco. Não reajo. Não brigo. Senão comigo mesma. Engulo a seco. Bebo muito líquido. Tenho um caso de amor com as palavras. Mal resolvido, claro. Um círculo social restrito. Outro familiar. Também restrito. Uma história de vida que daria um livro. Umas vezes um drama. Outras, um conto policial. Nunca um romance. E de amor, nem o próprio. Ímpar, ele começou a aprender a se virar nos quarenta, e já chegamos aos cinquenta! Mas não passaria dos trinta segundos do Faustão. Minha máxima: acordar do pesadelo é privilégio. E de mínima, sei lá. O grande desafio é manter-se por um longo período nas capas dos noticiários. Também eu já tive meu momento. Com o passar dos anos deixei de ser lembrada para ser esquecida. Admito minha incompetência. Ou preguiça. A velhice tem dessas coisas. E de outras. Tive a chance de ser vítima para o resto da vida. Podia ter feito diferente. Ter gritado numa rede social qualquer. Ter pedido ajuda. Ter chorado toda a minha dor em público. E fingir que uma noite de luar me garantia os sonhos. Como um milagre, talvez. Optei por ser eu mesma. O milagre não está na natureza. O milagre sou eu. Acordar. Respirar. Caminhar. Milagre é a coragem de enfrentar o espelho. De frente. Encarar meus erros e meus medos. Milagre é ceder. Fazer acontecer. Aprender a conjugar o verbo Resistir. Milagre é abrir a janela e gritar teu nome, numa pronúncia que só na minha boca existe. Milagre é a razão pela qual ainda estou aqui.

sexta-feira, 21 de março de 2014

quinta-feira, 20 de março de 2014






refugio-me no pequeno espaço entre um parágrafo e outro que se acumula no imenso livro da tua existência, e faço-me presente à sua ausência dentro daquele abraço...

sábado, 15 de março de 2014







cansei de ser só eu, e minhas folhas, minhas vogais solitárias e minhas frases repletas de reticências à espera de uma exclamação que me tire do chão. a partir de hoje serei tua!

segunda-feira, 10 de março de 2014







noves fora nada: ela é a subtração que está faltando à vida dele, está de sobra nela.