sábado, 19 de janeiro de 2013

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013








e a noite a morrer-me no colo com a luz dos corpos que não têm a mesma intensidade e repousam a distâncias diferentes.

domingo, 13 de janeiro de 2013

sábado, 12 de janeiro de 2013








às vezes perco o foco, mas nunca a vontade de acertar.

domingo, 30 de dezembro de 2012







sobre a folha, todas as marcas, e todas as palavras. e todas elas, desprezadas.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012








há palavras que não sei escrever por dentro...

quarta-feira, 31 de outubro de 2012








espero-te à direita da página, do outro lado da folha, no avesso do verso e à margem de um sonho, pronta a beijar-te as asas... a ser[me] Poema, e eu, tua Poesia... não demore.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012








tu, que não me lês, oro[te]. respiro fundo e junto ao peito as mãos em oração, entrego-te as asas. em amém, voo.

domingo, 28 de outubro de 2012








num instante pego papel e caneta e elejo a vogal como atração principal. desenho um céu, uma lua e algumas estrelas. e voo.

sábado, 27 de outubro de 2012








dê-me as asas e dou[te] o voo.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012








o voo atrasa o amanhecer quase aceso na matéria fumegante do dia com os lábios úmidos e quentes. presa às asas, seguro[me] àquele instante de melodia em ritmo crescente antes do bater de asas final. hoje, não quero acordar.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012








Há uma paz luminosa que acende a pele sempre que o voo é das asas (nossas)...

quarta-feira, 24 de outubro de 2012








Com a calma de saber-te asas, antes que falte tinta à pena para o impossível que somos, ou sobre língua aos dedos para escrever o verbo, voa... vamos juntar pétalas, fazer braços de estrelas... e pintar de luz a pele.

domingo, 21 de outubro de 2012








não saíra dela o poema, mas serena à paisagem dos dias de Primavera, atreve-se à colheita das flores e perfumes de cada verso do jardim. dele. lambe os lábios em seiva pura, e sopra-lhe ao ouvido um beijo úmido de carícia e poesia. inebriada pelo aroma, recolhe as folhas e as pétalas espalhadas pelo chão a duas estações, dela, transformando o chão árido num tapete macio e colorido, fértil de imaginação... e nem se dá conta das duas asas que lhe nascem.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

domingo, 14 de outubro de 2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012








árvores de uma raiz só...

sábado, 6 de outubro de 2012







[imagem net]

Os anos de memórias que estão impressos na minha carne não estão ao alcance de meu papel. Minha pena só conhece o botão à flor, e o jardim do hoje é perfumado à espera dos dias de sol. Para viver e morrer de lua a cada pouso d’asas, para vislumbrar o céu por tanta luz e amando cada instante do presente pela dádiva dos sorrisos movida pela fé crescente, ainda que desarmada dos sonhos. Mas tão essenciais.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012







[imagem net]

ficara a saudade viva desejando-se contínua na mais surpreendente paisagem, daquelas em que se desenha às fontes e se alcançam miragens de tempos esquecidos. como nos contos de fadas que, ao clarão da lua, faziam brilhar pedrinhas brancas espalhadas pelo chão...

segunda-feira, 11 de junho de 2012







[imagem: Lissy Elle]

quinta-feira, 31 de maio de 2012

sábado, 26 de maio de 2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012








há os reflexos. e as reflexões. no fundo há sempre algo. na superfície também. o corpo está ali mergulhado. e por ali o pensamento nada. mais, nada.

domingo, 29 de abril de 2012








o silêncio que ocupa a linha em branco
é uma letra sem nome
escrevendo um poema sem dono.

terça-feira, 24 de abril de 2012







de todos os meus erros, de todas as minhas faltas, de todos os meus defeitos... nunca vou me perdoar por não saber escrever.

segunda-feira, 23 de abril de 2012







há tempo que o verbo não se define nem pelo modo, nem pela forma. só a lua e o céu. completos, mesmo assim, só até o dia amanhecer. ou a tinta acabar. depois, no despertar do abandono e todos os desenganos, com os pronomes deitados à palma de minha mão e a desilusão posta à prova das linhas em branco, num último sussurrar de um aroma que o verbo não foi capaz de conjugar, escrevo-te adeus. não sem antes soprar-te aquele beijo, o do vento fazendo-te cócegas nos lábios.

sexta-feira, 20 de abril de 2012







[imagem net]

"Tinha nas mãos uma porção de excremento humano, que tentava moldar numa superfície de poema; mas a angústia, de modo imerecido, fazia-o saber que a loucura era a mente estar com o poema e o corpo ausente."

Maria Gabriela LLANSOL

sábado, 14 de abril de 2012

sexta-feira, 13 de abril de 2012

quinta-feira, 12 de abril de 2012







[imagem net]

mulher sem refrão, tinha ela nome. do amor que sentia, era ele órfão. tinha ela fome e comia a esperança como se fosse pão. dele, de cada dia.

quarta-feira, 11 de abril de 2012








pontos. próximos e distantes. juntos e separados. pontos medianos e profanos. parágrafos e finais. ponto bala e ponto-e-vírgula. pontos firmes e frouxos. largos e estreitos. abertos e fechados. pontos de admiração e de interrogação. curtos e compridos. comprimidos. pontos. soltos!

terça-feira, 10 de abril de 2012







[imagem net]

na maresia de um barco sem rima, em ritmo lento, mas de conhecido rumo, sonhava acordar palavras de jardins adormecidos ao escrever cartas de amigo. nunca lidas, não passavam de um monólogo. mesmo assim, validava os argumentos e insistia nas letras e nos sentimentos. [...] um dia, até o monólogo deixará de existir. nesse dia seu corpo será velado a sorrisos e banda de música. como todo corpo que parte tarde, será só dele a dor de chorar sua morte. para felicidade de todos.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

sexta-feira, 6 de abril de 2012

quinta-feira, 5 de abril de 2012

¬não imprime-se.








e teria escrito sobre a inutilidade dos livros que falam sobre a arte e que nenhuma linguagem interpreta. é da pele. se soubesse. 

sábado, 31 de março de 2012








um ponto de interrogação oferece-se como fruta. um ponto final recusa. uma vírgula reluta. as reticências cogitam. a exclamação favorita. um livro abre uma página e lê-se: 'siga-me'. e foram felizes para sempre.

sexta-feira, 30 de março de 2012














[imagem Rede Globo]

“Com a internet, cada um tem seu blog, e quando há um volume muito grande de gente praticando tudo se abastarda. Quando se deliberou que não haveria mais métrica e rima na poesia, toda senhora de cinquenta anos começou a fazer poesia.” Millôr Fernandes (1924/2012)



O que vejo é gente, e isso se refere a homens e mulheres, fazendo rima com ‘goiabada e marmelada’ e se sentindo o rei da cocada preta! E chamando isso de poesia. Pior! Colhendo frutos como se fosse poesia. E afirmando que é poeta! Ou poetisa. Quando no máximo, com alguma sorte e na melhor das hipóteses, deveria ser considerado como ‘habilidade’ para a escrita. Mas daí chamar isso de poesia... francamente!

Ah, amiga, e se te chamo assim, não é pelo tempo em que nos conhecemos, algo para lá de 30 anos! É porque temos histórias de vida que nos permitem chamar assim uma a outra. Não é mesmo?!

Bem próximo disso acho que é a ligação entre o Poema e a Poesia, e que deve ser como um caso de amor. Tem que ter paixão e química, e passar por todo aquele processo de conhecimento até atingir seu clímax. Tem que ter clima, ritmo, sonoridade! Enredo! E um FIM que nos leve de volta ao seu início. E de volta, ainda nos deixe aquela sensação de que continua faltando alguma coisa. “Mas que coisa é essa?”, a poesia pergunta para o poema. E eu respondo, exatamente como num caso de amor, ou de paixão, uma coisa que deixa na gente aquela sensação de que ao mesmo tempo em que completa, também falta, e, entretanto, mesmo assim, satisfaz. Ainda que provisoriamente.

Só até o próximo poema!

terça-feira, 27 de março de 2012







 

há uma esfera de entrada de um lado e uma esfera de saída no outro; no percurso as palavras são escritas para que eu aprenda a reescrever a vida em modo regular.







[imagem de A. L. feita do celular]

duzentos e oitenta e sete quilômetros separam a realidade do pesadelo, sem distinção. sai vazia e seca. a caminho do ritual nefasto, a estrada tantas vezes à ida pressentida da não volta, a dar voltas na vida e a pegar desprevenidas as mãos em abandono, surpreende e compara-se ao ferro com liga de carbono. prepara-se o corpo para mais um antepasto, abre-se a carne e enfia-se uma agulha até ao osso. não sangra. não dói. as horas a pingar em gotas de náuseas e a sonolência enleva-se à paisagem de brancas nuvens. depois o sono despertado pelas vertigens e vômitos, e a parir a verborragia arrastando as palavras dentro do estômago como se fossem filhos a sair da vagina arrebentando-lhes as entranhas até rasgar o intestino. não grita. nenhuma dor física é maior que a propriedade de saber-se dela a dor e de mais ninguém. finge sorrir. vale tudo. até submergir da revelação para o naufrágio da aparência a fugir da carne como se não fosse sua. ou dela. sabe que o tempo é marcado e acreditando que é a última vez que seu peito suporta tanta pressão, contendo um ar que parece que vai explodir, ainda vai sorrir com mais convicção. de fingimento. na volta, e se antes do medo, há de ser do pesadelo acordado à serenidade do espírito e do corpo, ainda que dolorido. e porque confia que só mesmo um poema de cura para salvá-la de si mesma, está escrito.

segunda-feira, 26 de março de 2012

sexta-feira, 23 de março de 2012








Porque o mundo é dos mais fortes, dos mais inteligentes e dos intelectuais. Não há mérito algum em ser honesto e não se vincular à hipocrisia. O que importa é o perfume dos verbos cheirando à lavanda fresca e a linguagem que vai nascer poema para renascer em poesia. Analfabetos, ou quase isso, que resumam-se às suas insignificâncias e mantenham-se distante de tudo e de todos. A burrice contagia. É pior que a falta de caráter.

Sabia que por mais que tentasse me prevenir, ainda assim, não cabia nesse espaço. Sabia, e entretanto, insisti em contrariar a lógica. Críticas? Não por elas. Pela vergonha de ser tão original em toda a minha falta de criatividade. Perdi as contas que minhas epeedices foram motivos de zombaria e de humilhações. Pele com pele de epee, sofria os reflexos de sua inabilidade com as imagens e com as palavras. E resistia. Mas até para resistir é preciso ter o mínimo de amor próprio.

O mundo vai continuar sendo dos mais fortes, dos mais inteligentes e dos intelectuais. E o mérito, também será de quem souber beijar as palavras e lançá-las ao vento em busca de prazer ou de medalhas. Prefiro a solidão como companhia a me declarar parte integrante deste meio. Não eu. Não epee. Somos, e sempre seremos a mesma pessoa: Teresa Cristina S. Alves de Castro. Torta, velha, loura e burra! Mas humana. Pela raça e pelo coração. Com todos os meus defeitos, transparente em todas as minhas atitudes e sincera. Antes eu e meu precário vocabulário a ser uma farsa ou um plágio de alguém ou de alguma coisa que não corresponda à minha realidade.

E quem não gostar, ou não aprovar, paciência. Há janelas e janelas. E além delas, a opção de ser seguidor ou leitor. Ou nem uma coisa nem outra. 

quarta-feira, 21 de março de 2012








Faltavam os braços e dentro deles um corpo. O meu. E um abraço. A cabeça enroscada no ombro e o tecido a amparar as lágrimas. Agradeci por saber abraçar-me.

segunda-feira, 19 de março de 2012

domingo, 18 de março de 2012








mil seiscentas e trinta e quatro folhas de pura carne [nem pelos beijos, nem pela paisagem, pela pontuação; por tanto sorrir do melhor; pela dor, sempre a menor; de todos os verbos, o maior], dela, confiscadas.

¬salvar como








sexta-feira, 16 de março de 2012

quinta-feira, 15 de março de 2012







soca as mãos na mesa num rompante imprevisível e grita à dor que se faz presente. acrescenta-se a ela, uma lágrima, depois outra. visível a pungência que torna abstrata a realidade por ter sido o vértice de uma inconsciência relativa. falta-lhe o ar. faltam-lhe as pernas. e tomba à esquerda da sepultura que há muito a aguardava. 

quarta-feira, 14 de março de 2012

¬Cruz Filho







imagem net

“Este amor é como a árvore de sândalo, / que, ferido de morte, inda perfuma / o gume do machado que o golpeia.”

terça-feira, 13 de março de 2012

¬"Quem rasteja como verme, não pode se queixar de ser pisoteado."







escreveria sobre os amantes e os amados. falaria sobre os beijos de boca, sobre a união dos corpos e das almas, das mãos entrelaçadas, das risadas em cumplicidade, da busca, dos encontros e dos desencontros. conservando o mistério, confessaria segredos e desejos. desenharia um céu como cenário e nele a lua teria um lugar de destaque, também as estrelas, como se fossem olhos, e não permitiria que nada ofuscasse seu brilho. ah... e escolheria uma canção só para eles. pontuaria todo o texto com exclamações e reticências e em cima de cada letra 'i' colocaria um coraçãozinho no lugar do pontinho. infantil, diriam alguns. ridículo, outros. escreveria um final sem dor e sem desamor, apenas porque o amor, depois de muito ser vida, na hora da despedida, quis descansar à sombra de uma árvore e respeitaria sem alimentar a tristeza ou a saudade. mas até para isso era preciso existir uma mulher, um homem e o amor. e escrever a história seria o de menos.

segunda-feira, 12 de março de 2012

¬salvar como







se do medo a dor, maior da anestesia. aos dias e à vida. arrastam-se as palavras. encurralam-se pronomes e adjetivos, mas a vontade de superar-se precisa existir, nem que seja na folha de papel. no pinga soro das horas, contam-se os minutos finais para o tempo do verbo absorver a presença que é solidão e angústia. presente. do passado, nem a memória resistirá ao tempo. salvam-se os sorrisos recuperados no sono perdido, a acreditar em si mesma e a confiar no futuro um cenário que lhe trará uma nova vida. ainda que velha.

domingo, 11 de março de 2012

¬carretel







se dela o ponto, dele a linha; se dele o caminho, dela o conto; se dela o bafejo, dele o desejo; se dele o beijo, dela os lábios; se dela a paleta, dele a cor; se dela o sabor, dele a caneta; se dela a palavra, dele a letra; de dele a terra, dela a pá; se dela a pele, dele a fragrância; se dele a essência, dela a carícia; se dela as reticências, dele a exclamação; se dele a canção, dela a melodia; se dela a sinfonia, dele a rima; se dele o verso em poema, prosa ou pensamento, dela a poesia; deleite dos dias e das noites também. teoria ou teorema, se deles, amém.

segunda-feira, 5 de março de 2012







como um alarme programado para despertar. não adianta correr, fugir ou ignorar. é preciso muito mais que conhecer letras, regras gramaticais, sinais de pontuação, concordância verbal e etcetera e tal, para merecer o carinho do corpo textual. é preciso saber colorir palavras, dar-lhes vida e beijar-lhes a face. ou a boca. provocar cócegas ou choro; dor ou êxtase. trabalhar frases com aromas e gostos. desnudar pele e alma, marcando pausa e melodia ao mesmo tempo. ou então, desistir. e admitir que o caminho mais sensato é o rascunho, de preferência trancado dentro da gaveta com uma víbora dentro.







epeedices à parte, o que nomeio de pedaços é mais, muito mais. é a chave, porta e campainha. brisa e ventania. palavras enviesadas escritas à imensidão de linhas retas. todas elas, sem exceção. se da noite a saudade dedicada à despedida, e se, num instante, ou se por acaso, não é minha a lembrança do primeiro beijo da manhã, que convida ao interesse, ou à curiosidade, pela afinidade dos versos bafejados de desejo, faço da defesa minha melhor acusação e dou à palma, a razão. se da ignorância os sentimentos que não nos pertencem, do conhecimento o nascer do verbos a colorir a página em branco. se grito de amor ou dor, vida. se da lágrima o sangue, nenhum script. notas de gratidão, respeito e admiração por emprestar asas e por somar, enquanto insisto em subtrair. por ensinar a sorrir mais que chorar. por ser ponte. e horizonte. por ser tudo e muito.

sexta-feira, 2 de março de 2012








na falta do beijo, o abraço. na falta do corpo, a cama. na falta da palavra, o traço. na falta de apetite, a fome. na falta do papel, o pincel. na falta da carta, o telegrama. na falta do verbo, o Homem. na falta da luz, a chama. na falta do amor, mais amor.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012








anestesiada no vazio incomensurável de sua existência, batalha inquirida contra a essência dos sinais que respeitou. não saiu dela nenhuma resposta à perda de liberdade e dignidade que foi por ela responsabilizada. tanto tempo depois e para sempre. nem à perda de todo o sangue escorrido pela ausência sofrida. cansada de resistir como um animal [não mais, não tanto] aperta as próprias mãos até quebrar os ossos e arrasta-se de dor no sentido oposto ao ritual que perseguia seus instintos mais viscerais. desconhece o verbo que a chama. desconhece se atenderá ao seu chamado. fecha os olhos e entrega-se.

domingo, 26 de fevereiro de 2012