terça-feira, 28 de fevereiro de 2012








anestesiada no vazio incomensurável de sua existência, batalha inquirida contra a essência dos sinais que respeitou. não saiu dela nenhuma resposta à perda de liberdade e dignidade que foi por ela responsabilizada. tanto tempo depois e para sempre. nem à perda de todo o sangue escorrido pela ausência sofrida. cansada de resistir como um animal [não mais, não tanto] aperta as próprias mãos até quebrar os ossos e arrasta-se de dor no sentido oposto ao ritual que perseguia seus instintos mais viscerais. desconhece o verbo que a chama. desconhece se atenderá ao seu chamado. fecha os olhos e entrega-se.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

sábado, 25 de fevereiro de 2012








a negligência dos travessões foge à regra da pontuação sem qualquer espécie de constrangimento. ou consciência. o enredo é senão um contorno pontiagudo na estrada que diz que a paciência deve ser mais forte que a própria força, mas não prova. porquês juntos e separados, acentuados ou não, em começos, entremeios e finais de frases não justificam a existência da folha que não teve a pretensão de ser escrita em alto-relevo. estou cansada demais para elaborar teses e travar monólogos que deixam mais espaços vazios a preencher a linha que se mostra como reta. há curvas sinuosas de eventos inesperados. e nem sempre importa quem é resgatado primeiro ou por último se o corpo estendido no chão não chegaria nunca ao seu destino. porque nunca houve um. ou dois. nem junto nem separado.








sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

¬rascunho








nenhum paraíso. nenhum inferno. nem fel, nem mel. nenhuma canção, voz ou entoação. nem porta-voz. nenhuma sílaba, nenhuma monossílaba. nem nota. de pé. ou não. nem suspeição, nem insuspeição. nenhuma anatomia, física, ou fisiologia. nem geografia. nem na morte. ou na vida. nem insurreição ou previsão. ou não. nenhuma vogal, consoante ou sinal. nem ponto, nem traço. nem laço. só essa merda. essa coisa mal[dita], estranha, perdida, eivada, mas viva, cravada nessa linguagem indecente.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012








e ter a sensação de nunca estar inteira, de que falta não a parte, mas o todo. um verbo a acariciar, uma palavra a confortar. um corpo para ser abrigo e abrigado. desejo de ser boca e beijo. presença. e na ausência, saudade. ponto e conto. reticências... som e imagem. língua e linguagem. pauta. ata. minuta. adenda e emenda. ementa. tudo e nada. e nada e tudo. vice-versa. reverso e anverso. sem ser verso. ou ilha. texto sem pré-texto. exceção. prazer. emoção. amor e amada. mulher. tão e tanto. enquanto. portanto.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012


e se houve poema, ele ficou do lado de fora. da pele. e da porta. não ouviu meu grito, não me abraçou o corpo. nem as palavras. não me deu um filho. mas fez-se presente. e de presente, pintou-me a boca de vermelho e fez-me Dona. da poesia.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012








e o que não puder ser luz é escuridão.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012








e foi pensando em me esconder que me revelei. e foi pensando que seria capaz, que me descobri incompetente. epee foi um erro. um erro do qual não me arrependo, mesmo quando a sensação de fracasso supera a gratuidade de uma recompensa que não existe. minha intimidade com as palavras no que diz respeito à minha própria temática é um dissabor. falta criatividade, e além dela, habilidade. minhas fotografias não valem nem um título. e meu discurso, por ser tão sincero, sempre beira à hipocrisia. ou pior, sugere que estou à espera de um elogio. cada dia que passa, as chances de ter um repertório coerente com a pessoa que sou, diminuem. as palavras fogem. as letras se escondem. e eu me sinto imensamente só e perdida em meio desse grande vocabulário que são os blogs que estou acostumada a ler. e se antes tinha orgulho de figurar em alguns espaços, hoje em dia sinto vergonha. uma vergonha para uma culpa que não assumo, porque minha incompetência com a falta de temas ou com a poesia que não existe em mim, não pode servir de parâmetro à minha dignidade. mas é o que acontece. a  impressão que tenho é que estou roubando uma cena, ou um lugar, que não é meu. que nunca seria. como se pudesse imaginar, ou prever, que se fosse descoberta, sairia daqui a pontapés. isso é mundo real. não tem a ver com fantasia. tem a ver com a minha realidade. é ela quem me diz o quanto esse mundo não me pertence e o quanto estou distante de um dia, porque o sol brilhou e resolveu sorrir para mim, uma vogal se revelar como leitora. e se antes ainda tinha alguma dúvida sobre o que estou fazendo aqui, não tenho mais. dessa vez, foi pensando em fugir que me encontrei. exercer o meu direito à leitura e procurar um destino coerente às palavras que brotam em mim, comentando, é mais importante que escrever epeedices.

sábado, 11 de fevereiro de 2012








é tempo de acolher as pétalas que começam a cair. tempo de juntar os pontinhos, guardar as vírgulas e esperar pelos parágrafos. tempo de sorrir e acreditar nas tonalidades que vão colorir essa página, ou essa paisagem, com uma nova linguagem. ainda que o corpo, esse velho companheiro, se esqueça, de quando em vez, do quanto é guerreiro.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012








quando todas as coisas que eu sinto deixarem de fazer sentido e o tempo parar de contar os dias por páginas mal escritas, e o presente se resumir num caderno da memória perdida entre a próxima página e um ponto. ou linha. e qualquer língua parecer a minha, ou o dedo, ou mesmo os traços, quadrados, não apostem na probabilidade das semelhanças. mesmo que o retrato não corresponda à imagem real, ou omita um pedaço de mim, minha dignidade não permite o anonimato para além daquilo que minha linguagem e minha originalidade, exigem. não há a possibilidade de um artigo indefinido. é pronome. é pessoal. e é intransferível. não pertenço a nenhum caminho, senão o meu próprio. às tintas de origem sombria, é verdade, mas lúcidas. às notas de rodapé sem qualquer segredo ou mistério, ainda que atrapalhadas. um abecedário numa caligrafia inconfundível. como uma carta de baralho marcada, e de tão velha, adivinhada. ou como um livro, cuja introdução, já dispensa qualquer leitura. ou interesse. um enredo de fácil compreensão. com final feliz para uns. sem final feliz para outros. com linhas para todos. exceto para mim. essa sou eu. do amor ímpar. e, sabe, feliz por ser assim.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012









na radiografia hemorrágica que precede o caminho de pedras, não há tema. só o sangue a escorrer longe do conta gotas. virgulando minhas epeedices tento não sucumbir ao monólogo. alterno as páginas da memória suprimindo as interrogações. aposto no apóstrofo, no aposto e no vocativo. no vocabulário relativo e no silêncio das exclamações. mas sempre percorrendo linhas de pontuação transparente e atenta ao traço que me prende à oposição reversa de um dilema. e assim, enganando os dias sem infringir nenhuma regra da língua portuguesa, desço no último parágrafo. respiro fundo e antecipo o mergulho. só por respirar. só porque sim. só por não poder fugir.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

domingo, 5 de fevereiro de 2012

sábado, 4 de fevereiro de 2012








a vida em câmera lenta, o fogo cruzado, as palavras à flor da pele, uma escrita ao vento, um vocabulário estranho e deficiente. e nunca suficiente. as lágrimas a transbordar num futuro incerto, revirando alegrias e lamentos, sabendo que é do tempo, que não corre à medida da vontade, as respostas. a saudade doendo sílabas de contenção desastrosa. a impressão de que o coração nessas horas para de bater. mas não. ele continua lá. sístoles e diástoles travam uma guerra de foice pelo ritmo correto até se dar conta de que é apenas uma sobrevivente. nem mais.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

¬era uma vez uma orquídea...








[ ... ]








queria o lápis, afiado o bastante para atravessar a folha até alcançar o verbo 'gritar' e conjugando-o de forma consistente, sem defesa ou acusação, pontuar de uma vez por todas que epee nasceu pronta. talvez minha maior e única frustração seja realmente não saber usar os verbos molhados de paixão, recheados de sabores a dados os mais gostos, diversos, mas já faz algum tempo que aprendi que isso não me torna pior do que ninguém. não existe aqui um mundinho impermeabilizado. a transparência sempre foi meu tema de eleição, mesmo que fosse depoente do fracasso ou da vergonha, no tamanho exato da minha dimensão. apesar de estar de passagem, assim como todos nós, não sou paisagem, nem estou aqui para servir de configuração às páginas alheias a minha vontade. primeiro ela. segundo ela. terceiro e sempre a minha vontade. nascer pronta incluiu esclarecer que não me iludo com os caracteres que preenchem páginas de sorrisinhos e beijinhos, menos ainda de letrinhas minúsculas que bailam desesperadas por um discurso tão hipócrita quanto o que originou a procura. nada contra. desde que o influxo seja coerente e não seja direcionado à má interpretação de uma leitura que não atinge seu discernimento. e uma dica, a semelhança entre um sufixo e outro não sugere sua sinonímia, e quem ainda não aprendeu isso, que procure os meios competentes para se informar. caso contrário, tome conta de sua página e deixe a minha aqui, livre de qualquer vínculo com um ambiente do qual nunca farei parte. com muito orgulho.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012








aqui é o lugar do esforço, onde só a força é capaz de me mover, e invadindo minha intimidade, me cobrar uma explicação, mas ninguém me cobra coisa alguma. para piorar, está escuro. é madrugada às doze horas. quem poderia ter a curiosidade de ler-me, ainda que aparente, porque se acostumou a imaginar-me viva, dorme. eu não. letras e palavras misturam-se nesse emaranhado de linhas e me pergunto a quem escrevo. antes ainda havia um pretexto em procurar a ordem das palavras e das ideias, e concluir, depois da folha colorida, que valeu a pena. e a tinta. hoje estou cansada demais para esboçar tentativas de raciocínio sobre essa satisfação de desconhecida intensidade, e comparo meu esforço textual ao acaso de um onanismo expressivo, sempre ali, pronto a me dar prazer, mas longe de acontecer, não passa de um ensaio deliberadamente inútil.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012









às vezes, numa narrativa estagnada e alheia ao meu próprio enredo, dou voltas ao passado, e num sobressalto grito minhas incongruências e minhas fraquezas, para logo depois me reerguer, e desmentindo o fardo do peso bruto, flutuo na asa de uma nova esperança, numa urgente tentativa de alcançar a liberdade que desfruto. e que por vezes, esqueço.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012








entre a ata e a carne, quanta dor fingida, quanto sangue de mentira. quanta tinta lavada. quanto disso é defesa ou acusação. aspas ou travessão. poesia. ou pontuação à hipocrisia? que cena.

domingo, 22 de janeiro de 2012









se da ida, ou da volta, nunca sei. sei do passado que não é ausência. sei do tempo que não apaga a memória que não dignifica a vida e realça os defeitos a favor do esquecimento recente. como se nunca fosse do passado o que já passou. um caminho sem saída. sempre vai existir alguém, um dedo ou uma letra, a destacar a importância da página escrita excluindo o presente e destruindo qualquer possibilidade de futuro. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012








salvo-me pelo foco, do lado oposto à lente.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

domingo, 15 de janeiro de 2012

sábado, 7 de janeiro de 2012

¬meu primeiro [e único] poema







e quem nunca sentiu a dor da indiferença, quem não sabe o que é, não o desamor, mas o desprezo, que atire a primeira pedra. ou a palavra. que me mande para o inferno, ou para o raio que me parta. toda. nem assim. estou cansada dos murros na ponta da faca e de conter a hemorragia no silêncio. quero o grito. de dor. meus 'ais' malditos. nunca esse remendo. ou esse engano. antes o caminho da escuridão à demagogia hipócrita dos verbos que amanhecem no céu. da boca. se não morro de câncer, morro de indiferença. se pudesse escolher morreria de beijos, mas esses, já não me lembro do sabor. por mais que queira perfumar as palavras, nada vai mudar a ordem natural da oração. ele existe. eu resisto. mais cedo ou mais tarde todos nós morremos. também eu. com câncer ou não. com esperança. ou não. e sempre a sós. a luta vai continuar. sem vencidos e sem vencedores. depois tem o tempo, e a memória. apagada. como uma página fechada a comentários, porque não há o que ser dito. nem lido. no final todas as profecias se cumprem. epee sempre foi louca. e loura. vil. nunca a mulher. nem mesmo a pessoa. uma janela aberta à apatia dos dias. e da vida. e que agora se fecha para nunca mais se abrir.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012








de tanto morder os verbos sangra-me a língua.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012








depois há uma certa melancolia, e uma forma de desespero também, mas em vez de me fantasiar de musa, faço-me mulher, no desejo de enganar a vida com a alegria. como quem guarda um segredo, como defesa. 

terça-feira, 3 de janeiro de 2012









eu esperei. confiei e sorri. pelo sinal que podia ser da cruz ou da fumaça. da bênção ou do inferno. pela palavra que pudesse me lembrar das asas e do voo perdido na realidade de um mundo que não me cabe mais. qualquer palavra servia. qualquer dela. verde, lilás ou amarela. preta ou vermelha. sublinhada ou entre aspas. qualquer palavra. explícita ou implícita. benigna ou maligna. metafórica ou metonímica. apofática. ou não. o corisco que fosse! cansada de esperar gritei tua letra: 'L' de luz. em qualquer lugar do mundo, se fosse minha, ela se acenderia. encontrei-a, mas de surda, não me ouviu. de cega não me viu. de fria, me ignorou e seguiu seu caminho. não era minha. e eu fiquei só. com as mãos estendidas em súplica a amparar as lágrimas na dura travessia do ano. lamentando o azar de não ter nascido poesia. ou poema. vogal inábil, trema em desuso, consoante muda. fragmentos de epee presos nas cicatrizes de um tempo a contar subtraindo. sem a graça e a beleza dos verbos a pintar [de azul] os beijos dos versos. gramática depoente, para sempre, da página em branco, desisto da espera. e do encontro.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012








só sei a força que tenho quando preciso usá-la. é chegada a hora.

domingo, 1 de janeiro de 2012















porque dói meu silêncio, não meu grito. aquilo que não digo, nem escrevo, nem fotografo. o que fica à esquerda das aspas, entre as vírgulas que omito e à direita que abriga as reticências.

sábado, 31 de dezembro de 2011








¬1, 2 ih já!








todos felizes. todos sorrisos. Feliz 2012!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

¬Precisa-se de Loucos







"De loucos uns pelos outros! Que em seus surtos de loucura tenham habilidades suficientes para agir como treinadores de um mundo melhor. Que olhem a ética, o respeito às pessoas e a responsabilidade social, não apenas como princípios organizacionais, mas como verdadeiros compromissos com o Universo.

Precisa-se de loucos de paixão. Não só pelo trabalho, mas principalmente por gente, que vejam em cada ser humano o reflexo de si mesmo, trabalhando para que velhas competências dêem lugar ao brilho no olhar e a comportamentos humanizados.

Precisa-se de loucos de coragem para aplicar a diversidade em suas fileiras de trabalho, promovendo igualdade de condições sem reservas, onde as minorias possam ter seu lugar, em um ambiente de satisfação e crescimento pessoal, independente do tamanho do negócio, segmento ou origem do capital.

Precisa-se de loucos visionários que, além da prospecção de cenários futuros, possam assegurar um novo amanhã, criando estratégias de negócios que estejam intrinsecamente ligadas à felicidade das pessoas. Primeiro a gente é feliz, depois a gente faz sucesso, não se pode inverter esta ordem.

Precisa-se de loucos pelo desconhecido que caminhem na contramão da história, ouvindo menos o que os gurus têm a dizer sobre mobilidade de capitais, tecnologia ou eficiência gerencial e ouvindo mais seus próprios corações.

Precisa-se de loucos poliglotas que não falem inglês, espanhol, francês ou italiano, mas que falem a língua universal do amor, do amor que transforma, modifica e melhora. Palavras não transformam empresas e, sim, atitudes.

Precisa-se simplesmente de loucos de amor. De amor que transcende toda a hierarquia, que quebra paradigmas; amor que cada ser humano deve despertar e desenvolver dentro de si e pôr a serviço da vida própria e alheia; Amor cheio de energia, amor do diálogo e da compreensão, amor partilhado e divino, do jeito que Deus gosta.

As organizações precisam urgentemente de loucos, capazes de implantar novos modelos de gestão, essencialmente focados no SER, sem receios de serem chamados de insanos, que saibam que a felicidade consiste em realizar as grandes verdades e não somente em ouvi-las. Ou resgatamos a Inocência perdida ou teremos que desistir de vez da condição de HUMANOS."

[desconheço a autoria]

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011








nenhuma imagem seduz. nenhuma linguagem traduz. não há um corpo. sequer um olhar. nem mesmo um gesto. ou sabor. doce ou amargo. não há uma frase, nem uma palavra. sequer uma letra. vogal ou consoante. não há pele. nem suor. nem cheiro. não há mãos. não há dedos. nem que invente a boca, e fale baixo, ou grite, feito louca e alucinada. 


é como estar condenada à prisão perpétua.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011









não há verbos. o mundo é dos numerais cardinais. nem primeiro, nem segundo. próximo. dos pronomes. idem. das [pré]posições e das fluências da linguagem. dos substantivos. vivos. dos versos a soprar desejos a alimentar a carne e das interjeições. das conjunções sem alternativas aos encontros ritmados. meus artigos cheiram a lavanda barata. meus adjetivos apontam iguarias lexicais no fim da linha. ou da reta. final. qualquer coisa que beira à inutilidade para se afogar no raso. mesmo. é assim. não foi eu quem disse. eu li! com todas as vírgulas a me cortar em pedaços. noves fora nada. uma classe gramatical ordinária. dane-se!!

domingo, 25 de dezembro de 2011








que todo o voo venha d'asas...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011









no fim é apenas isso. um degrau a mais a me levar adiante sem a pretensão de chegar a lugar algum. apenas por ir. porque alguém tem de percorrê-lo. porque é preciso. e que seja eu, então. que não me faltem pés, nem passos. que não me falte a fé. nem o sorriso. e que a cada ciclo, ainda que me faltem palavras, que elas existam, mesmo que seja para me dizer que não há palavras.

sábado, 17 de dezembro de 2011








ora sim, ora não, experimento a culpa, a dor, o medo e a vergonha. ora sim, ora não, creio na força da folha em branco a escrever sem culpa, sem dor, sem medo e sem vergonha. ora sim, ora não, oro sem culpa, sem dor, sem medo e sem vergonha. e tudo passa.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

¬força[me]








quando não frequentava a academia ou porque não tinha tempo, ou porque me faltava disposição, caminhava. não precisava de um jardim, ou de uma avenida, só da vontade. a cada passo, uma certeza, de que mesmo se caminhasse em círculos o caminho não era o mesmo. nunca era. suava o corpo numa tentativa desesperada de lavar o espírito. exercitava o físico, mas a alma que lucrava. incorporava o espírito da disposição e da luta. exorcizava dúvidas e me sentia renovada. minhas pernas não formigavam tanto quanto minha vontade de vencer toda e qualquer dificuldade que fosse. era meu desejo de superar a tristeza, os limites e as tantas paredes que me cercavam, que formigavam dentro de mim, inteira, e imperavam. vencia o cansaço com disposição. vencia a sede com meu suor e lambendo os lábios deixava nascer em mim mais sede ainda. uma sede de coragem. uma sede de vida. uma sede de harmonia. saciada, anoitecia. porque sempre anoitecia para amanhecer e [re]começar tudo outra vez. 

[de um tempo passado à memória que precisa ser lembrada
e exercitada no presente]

terça-feira, 13 de dezembro de 2011








entre uma lágrima e outra, finjo um sorriso de paisagem. ainda é primavera. e já é Natal. 

sábado, 10 de dezembro de 2011

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011








a poesia não é minha matéria-prima, nem os calos, nas mãos, esses que me fazem questionar se não estou enganada sobre minha profissão. não há uma veia poética, nem mesmo um capilar. o sistema circulatório não é da inspiração, mas da necessidade fisiológica. escrever é como comer, beber, urinar, defecar e regurgitar. de preferência em quantidades proporcionais. infelizmente não é assim que acontece, e nem sempre o que entra, sai, mas tudo que sai, é porque entrou. respeito as vias de eliminação: não defeco pela boca, não urino pelo nariz e não regurgito pela uretra. talvez minha falta de habilidade com a escrita, mesmo reconhecendo que a principal excreção é do coração, seja por isso. afinal, não há qualquer beleza nos sólidos e líquidos excretados. ao contrário, eles fedem. e mesmo que haja o cuidado com os aterros, ou com a válvula de escape, no perfeito funcionamento da descarga, nada me salva de não sentir meu próprio odor. faz parte. minha exata dimensão com a arte me torna pequena. não trabalhar rimas e temas, entretanto, não significa dizer que não sinto a poesia que existe no outro. porque a sinto. experimento seu sabor e provo de seu cheiro. mais... permito-me ser levada por suas ilações e atrevo-me a excretar o que absorvi. mas reconheço que minha inabilidade é também dessa expressão. sempre errada. sempre indigna. sempre aquém de uma linguagem que deveria se limitar aos parágrafos. ou versos. sem entornos e sem retornos. sem vias de eliminação, sem bypass... sem via de salvação. mera espectadora.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011








e mesmo que a noite chegue salivando a perfumes exóticos e provocando a carne ao cio, nada será contrária à minha vontade de não atender a demanda do verbo. o corpo é cor de mãos dadas com o desejo do sabor a beijo. de trocas e misturas a línguas e salivas que não se restringem à pele. ou à mucosa. é poética. nenhum calor camufla a fragrância que exala o quanto sou fria e indesejada. insensível e analfabeta. admito toda a minha ignorância e incompetência. dispenso os frascos. respiro fundo e antecipo o mergulho.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011








de que a carga a tinta? de que pinta o ponto à crase que subscreve a pauta do dia? mecânica? às vezes é preciso virar páginas e depressa alcançar a margem sem olhar para trás. [bio]lógica.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

¬nada dói tanto quanto a prova da morte lenta a morrer de véspera...









não é do corpo a dor, é da alma. dos por quês juntos e sem acentos. da pontu[ação] que não pede nem licença, nem desculpa e rasga minha carne até o osso. já não acredito na morte e desconfio da vida, enquanto uma me nega seu sorriso a outra me obriga a sorrir. duvido da pauta que me reserva um futuro que de certo nada tem senão a conjunção. mas creio. creio no papel e nas letras. nunca amigas, nunca irmãs, nem divas, nem musas. bruxas. creio no sinal que vai escrever um alívio final numa oração que de graça nada teve, de beleza, tão pouco, e de amor, nenhum. creio nas linhas que vão calar meus verbos e roer meus advérbios até perder os sentidos. hemorrágica. e creio no inferno que vai me libertar da vogal citotóxica a me fazer voar sem asas.









eu.   monossílaba.   hiato e hífen.   desencontro vocálico e consonantal.   parênteses.   eu.   ponto final.

¬hoje sou do tamanho da minha serenidade...