porque dói meu silêncio, não meu grito. aquilo que não digo, nem escrevo, nem fotografo. o que fica à esquerda das aspas, entre as vírgulas que omito e à direita que abriga as reticências.
domingo, 1 de janeiro de 2012
sábado, 31 de dezembro de 2011
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
¬Precisa-se de Loucos
"De loucos uns pelos outros! Que em seus surtos de loucura tenham habilidades suficientes para agir
como treinadores de um mundo melhor. Que olhem a ética, o respeito às pessoas e a
responsabilidade social, não apenas como princípios organizacionais, mas como verdadeiros
compromissos com o Universo.
Precisa-se de loucos de paixão. Não só pelo trabalho, mas principalmente por gente, que vejam em
cada ser humano o reflexo de si mesmo, trabalhando para que velhas competências dêem lugar ao
brilho no olhar e a comportamentos humanizados.
Precisa-se de loucos de coragem para aplicar a diversidade em suas fileiras de trabalho,
promovendo igualdade de condições sem reservas, onde as minorias possam ter seu lugar, em um
ambiente de satisfação e crescimento pessoal, independente do tamanho do negócio, segmento ou
origem do capital.
Precisa-se de loucos visionários que, além da prospecção de cenários futuros, possam assegurar um
novo amanhã, criando estratégias de negócios que estejam intrinsecamente ligadas à felicidade das
pessoas.
Primeiro a gente é feliz, depois a gente faz sucesso, não se pode inverter esta ordem.
Precisa-se de loucos pelo desconhecido que caminhem na contramão da história, ouvindo menos o
que os gurus têm a dizer sobre mobilidade de capitais, tecnologia ou eficiência gerencial e ouvindo
mais seus próprios corações.
Precisa-se de loucos poliglotas que não falem inglês, espanhol, francês ou italiano, mas que falem a
língua universal do amor, do amor que transforma, modifica e melhora.
Palavras não transformam empresas e, sim, atitudes.
Precisa-se simplesmente de loucos de amor. De amor que transcende toda a hierarquia, que quebra
paradigmas; amor que cada ser humano deve despertar e desenvolver dentro de si e pôr a serviço
da vida própria e alheia;
Amor cheio de energia, amor do diálogo e da compreensão, amor partilhado e divino, do jeito que
Deus gosta.
As organizações precisam urgentemente de loucos, capazes de implantar novos modelos de gestão,
essencialmente focados no SER, sem receios de serem chamados de insanos, que saibam que a
felicidade consiste em realizar as grandes verdades e não somente em ouvi-las.
Ou resgatamos a Inocência perdida ou teremos que desistir de vez da condição de HUMANOS."
[desconheço a autoria]
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
nenhuma imagem seduz. nenhuma linguagem traduz. não há um corpo. sequer um olhar. nem mesmo um gesto. ou sabor. doce ou amargo. não há uma frase, nem uma palavra. sequer uma letra. vogal ou consoante. não há pele. nem suor. nem cheiro. não há mãos. não há dedos. nem que invente a boca, e fale baixo, ou grite, feito louca e alucinada.
é como estar condenada à prisão perpétua.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
não há verbos. o mundo é dos numerais cardinais. nem primeiro, nem segundo. próximo. dos pronomes. idem. das [pré]posições e das fluências da linguagem. dos substantivos. vivos. dos versos a soprar desejos a alimentar a carne e das interjeições. das conjunções sem alternativas aos encontros ritmados. meus artigos cheiram a lavanda barata. meus adjetivos apontam iguarias lexicais no fim da linha. ou da reta. final. qualquer coisa que beira à inutilidade para se afogar no raso. mesmo. é assim. não foi eu quem disse. eu li! com todas as vírgulas a me cortar em pedaços. noves fora nada. uma classe gramatical ordinária. dane-se!!
domingo, 25 de dezembro de 2011
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
no fim é apenas isso. um degrau a mais a me levar adiante sem a pretensão de chegar a lugar algum. apenas por ir. porque alguém tem de percorrê-lo. porque é preciso. e que seja eu, então. que não me faltem pés, nem passos. que não me falte a fé. nem o sorriso. e que a cada ciclo, ainda que me faltem palavras, que elas existam, mesmo que seja para me dizer que não há palavras.
sábado, 17 de dezembro de 2011
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
¬força[me]
quando não frequentava a academia ou porque não tinha tempo, ou porque me faltava disposição, caminhava. não precisava de um jardim, ou de uma avenida, só da vontade. a cada passo, uma certeza, de que mesmo se caminhasse em círculos o caminho não era o mesmo. nunca era. suava o corpo numa tentativa desesperada de lavar o espírito. exercitava o físico, mas a alma que lucrava. incorporava o espírito da disposição e da luta. exorcizava dúvidas e me sentia renovada. minhas pernas não formigavam tanto quanto minha vontade de vencer toda e qualquer dificuldade que fosse. era meu desejo de superar a tristeza, os limites e as tantas paredes que me cercavam, que formigavam dentro de mim, inteira, e imperavam. vencia o cansaço com disposição. vencia a sede com meu suor e lambendo os lábios deixava nascer em mim mais sede ainda. uma sede de coragem. uma sede de vida. uma sede de harmonia. saciada, anoitecia. porque sempre anoitecia para amanhecer e [re]começar tudo outra vez.
[de um tempo passado à memória que precisa ser lembrada
e exercitada no presente]
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
sábado, 10 de dezembro de 2011
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
a poesia não é minha matéria-prima, nem os calos, nas mãos, esses que me fazem questionar se não estou enganada sobre minha profissão. não há uma veia poética, nem mesmo um capilar. o sistema circulatório não é da inspiração, mas da necessidade fisiológica. escrever é como comer, beber, urinar, defecar e regurgitar. de preferência em quantidades proporcionais. infelizmente não é assim que acontece, e nem sempre o que entra, sai, mas tudo que sai, é porque entrou. respeito as vias de eliminação: não defeco pela boca, não urino pelo nariz e não regurgito pela uretra. talvez minha falta de habilidade com a escrita, mesmo reconhecendo que a principal excreção é do coração, seja por isso. afinal, não há qualquer beleza nos sólidos e líquidos excretados. ao contrário, eles fedem. e mesmo que haja o cuidado com os aterros, ou com a válvula de escape, no perfeito funcionamento da descarga, nada me salva de não sentir meu próprio odor. faz parte. minha exata dimensão com a arte me torna pequena. não trabalhar rimas e temas, entretanto, não significa dizer que não sinto a poesia que existe no outro. porque a sinto. experimento seu sabor e provo de seu cheiro. mais... permito-me ser levada por suas ilações e atrevo-me a excretar o que absorvi. mas reconheço que minha inabilidade é também dessa expressão. sempre errada. sempre indigna. sempre aquém de uma linguagem que deveria se limitar aos parágrafos. ou versos. sem entornos e sem retornos. sem vias de eliminação, sem bypass... sem via de salvação. mera espectadora.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
e mesmo que a noite chegue salivando a perfumes exóticos e provocando a carne ao cio, nada será contrária à minha vontade de não atender a demanda do verbo. o corpo é cor de mãos dadas com o desejo do sabor a beijo. de trocas e misturas a línguas e salivas que não se restringem à pele. ou à mucosa. é poética. nenhum calor camufla a fragrância que exala o quanto sou fria e indesejada. insensível e analfabeta. admito toda a minha ignorância e incompetência. dispenso os frascos. respiro fundo e antecipo o mergulho.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
¬nada dói tanto quanto a prova da morte lenta a morrer de véspera...
não é do corpo a dor, é da alma. dos por quês juntos e sem acentos. da pontu[ação] que não pede nem licença, nem desculpa e rasga minha carne até o osso. já não acredito na morte e desconfio da vida, enquanto uma me nega seu sorriso a outra me obriga a sorrir. duvido da pauta que me reserva um futuro que de certo nada tem senão a conjunção. mas creio. creio no papel e nas letras. nunca amigas, nunca irmãs, nem divas, nem musas. bruxas. creio no sinal que vai escrever um alívio final numa oração que de graça nada teve, de beleza, tão pouco, e de amor, nenhum. creio nas linhas que vão calar meus verbos e roer meus advérbios até perder os sentidos. hemorrágica. e creio no inferno que vai me libertar da vogal citotóxica a me fazer voar sem asas.
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