sábado, 8 de outubro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
¬preconceito, discriminação e estigma
faltam aspas à sociedade que corrobora com o preconceito e com a discriminação, acentuando as desigualdades e fomentando o estigma e a exclusão social. falta uma vírgula que suporte um ponto a escrever uma história com um final diferente à diferença que a define como marginal. falta. falta uma exclamação à garantia da ética de igualdade, baseada no respeito moral e no direito de ser diferente e plural, sem representar uma ameaça à sociedade. falta um ponto final à indiferença do tema, quando na realidade nunca deixará de ser pontuada na demanda fugidia das reticências... só não falta um ponto parágrafo à convicção de defender o próprio direito sem parecer contraditória. ou hipócrita.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
¬minha boneca
ela ficou sozinha, cercada de solidão e silêncio. jogada em meio aos destroços no fundo de um armário... como se chorasse, como se sofresse, coitadinha, como se soubesse que um dia as bonecas da vida também ficam jogadas num armário qualquer depois que o brinquedo termina.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
do outro lado da margem, ou da ponte, uma consoante observa um papel de escrita colorida e letras miúdas, onde soadas carícias encantam a poesia intelectual de fundo enigmático. arte condensada em partituras indecifráveis sobre um chão de transparência melancólica, mas envolvente o bastante para encurtar a distância que existe entre linhas e entrelinhas paralelas e comunicar-se na linguagem do coração com a leitura desejada. desvelada a esfinge, escrita e leitura complementam-se e colhem estrelas no jardim do céu. a consoante, desperta da paisagem, agora sabe que é da alma o sabor a beijo. não da boca.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
domingo, 2 de outubro de 2011
sem hipóteses. não há vida em doses fracionadas. não existe alívio em bulas de remédios, nem em consultas telefônicas. há vezes que cuspir ou engolir não é uma opção. é uma questão de administração, sem negar o efeito deletério. o sofrimento não consiste no gosto amargo do medicamento, nem na injeção na veia. a proporcionalidade terapêutica, parte da assistência paliativa que não tem função curativa, está no choque entre a realidade e a mesma realidade. no pinga soro suado que escorre atrás da máscara branca que sufoca, mas que também evita a contaminação cruzada. no nível da compressão aplicado até atingir o limite máximo da aflição suportada. sempre a mais. não é do verbo a dor. é do efeito adverso que é maior que a própria dor.
sábado, 1 de outubro de 2011
¬promessas de outubro
vou dormir ponto final para acordar vírgula, trabalhar pronomes e fórmulas para distinguir os sinais. vou esquecer o tempo das pontuações reticentes e juntar os pontinhos. alternando vogais e consoantes, vou desenhar um caminho de palavras até resgatar o verbo do infinitivo. vou colar minhas digitais nas suas mãos prometidas e vou beijar-lhe a face como quem beija o grande amor de sua vida.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
não estragar a foto, não perder o foco, não tapar o rosto, não rasgar o verbo, não cobrar o imposto, não roubar a crase, não ficar no quase, não lavar as mãos, não subestimar os nãos, não quebrar o broto, não queimar o dedo, não morder os lábios, não fechar os olhos, não trocar os advérbios, não reembolsar o cabeçalho, não separar as reticências... e não desprezar as adjacências.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
¬luto
beijei todas as letras e pedi ao vento que me trouxesse de volta as folhas perfumadas cheirando a verbos frescos, pedi. mas ele trouxe a ventania e a tempestade. apagou a luz, separou os ossos da pele e deixou rastros de sangue, varrendo para longe de mim a vontade sorrir. não há varinha mágica, nem fada madrinha, no mundo dos grafites vence quem tem mais cor. se antes experimentei a autoridade do calar a voz e pensei que sabia tudo, hoje sei que pior, muito pior, é perder o direito de escrever.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
terça-feira, 13 de setembro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
¬não é fácil, mas é simples!
é preciso reconhecer que perdi. a carteira ou a pulseira. a crase ou a frase. posso adivinhar a busca, mas não posso acertar no encontro. ou, no achado. é preciso admitir mais que erros ou falta de acertos. se há imagens que não traduzem o sentimento, calar não convence o que não tem convencimento. é preciso conjugar o verbo, ainda que em forma de denúncia ou confissão, e deixar que os dedos sejam os mensageiros do coração. é preciso reconhecer que enquanto subia e descia linhas e entrelinhas, imprimindo no caminho pétalas e perfumes, o cursor apontava ao escárnio das palavras que me chegam em notas de rodapé. paráfrases que nem a mais inepta das criaturas poderia ignorar. ou, fugir à realidade. de virtual, basta o meio. estou inteira à sobriedade. quem espera encontrar o diferente errou de porta. ou, de janela. o melhor desse mundo é a opção que temos de virar as costas, ou a página, sem lamentar a sorte, ou o azar. por gosto ou preferência. a mesma janela que pode ser aberta diariamente, também pode ser fechada definitivamente. responsabilizar o céu, ou a lua, ou a falta de iluminação suficiente à obviedade dos fatos é que não. o verbo, longe da perfeição, por pior que seja, ou mais imperfeito, sem graça e sem jeito, é o meu verbo. e o conjugo na mais perfeita sinceridade, sem mendicância de reciprocidade. reconhecer a perda não me faz cessar a busca, mas me ajuda a superar os danos e a me prevenir contra eventuais objetos de riscos. ou, sarcasmos. não devolvo a sílaba, nem os orgasmos. sem demora, é hora de hibernar, não sem antes lembrar que sou aquela quem muito viveu por tão pouco que se desejou e tão feliz que foi por muito que amou. e saio de mãos dadas com o que há de melhor em mim: minhas próprias razões.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
aqui, neste pequeno grande caderno, coleciono verbos e imagens, tintas e gestos. abri aspas, fechei aspas, pontuei, virgulei, fui recordista de traços incertos e assumi todos os riscos. desprezei linhas e regras, perdi, ganhei, nasci, morri e renasci uma infinidade de vezes. escrevi pautas e rasguei bilhetes, soprei sorrisos e pinguei soro. fui vogal e consoante numa mesma folha de papel. sujeito simples, composto e indeterminado, concordante e discordante de um único verbo de reconciliação. contei dias e contei objetos. conheci letras e juntei palavras perfumadas à sinceridade dos melhores aromas sem perder a essência de minha fórmula principal. não aprendi a voar, não aprendi a sonhar, mas aprendi a fazer do pouso meu melhor repouso. sobretudo, aprendi a conjugar o verbo amar antes de dizer adeus.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
¬e setembro chegou
'til, til, til' e uma consoante pede passagem. é preciso atravessar a ponte, deixar cair acentos e caminhar despida de essência crítica. aceder ao radical do verbo sua variação, e conjugando-o de forma racional, ler linhas e compreender a função extremista das entrelinhas que habita os rodapés à margem de um abecedário covil. trocar minúsculas por maiúsculas, abrir a porta, sorrir e antecipar as boas vindas a setembro: Muito prazer, meu nome é Ƭ.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
terça-feira, 23 de agosto de 2011
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
domingo, 21 de agosto de 2011
"O que mata um jardim não é mesmo alguma ausência, nem o abandono... O que mata um jardim é esse olhar vazio de quem por eles passa indiferente."
Mario Quintana, "A Cor do Invisível"
como ser diferente sem ser diferenciada?sábado, 20 de agosto de 2011
onda sim, onda não... a vida acontece, e o amor, esse verbo singular e ímpar, derrete uma prece de oração plural, onde aporto um mar de mim que não comporta o mínimo e o menor, transbordo em líquido virginal e deixo de ser pequena para ser maior. onda sim, onda não... ancoro na palma da tua mão e amanhece quando anoitece.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
terça-feira, 16 de agosto de 2011
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
um passo em falso e a colisão é fatal com a fratura exposta. lamentei cada espaço em branco da folha que não foi escrita. revivi todos os discordantes nominais e verbais apelatórios e todo o passado de papel presente discriminatório. chorei todas as quinhentas e dezessete conjunções condicionais que acordavam noites aos pesadelos de meus dias. assinar o obituário seria um acordo com a covardia, garantia dos mais fracos. recuar ou avançar? juntar os cacos. e sangrei, consolada.
sábado, 13 de agosto de 2011
¬quando nenhuma imagem corresponde ao sentir[mento]
há cicatrizes que nunca deixarão de ser feridas.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
¬entre o cabeçalho e o rodapé
não sei se aspas ou travessão. se negrito ou itálico. não sei se exclamação ou interrogação. se subscrito ou sobrescrito. não sei se centralizo ou justifico. se sublinho ou se risco. não sei se dois pontos ou asterisco. se virgulo ou se pontuo. e se pontuo, se parágrafo ou final. não sei se editorial ou marginal. se pessoal ou nominal. não sei se cuspo ou se engulo. se rotulo ou se copulo. não sei se rimo ou se sorrio. se lastimo ou se sublimo. não sei se consequência ou consciência. se feitiçaria ou se feitio. [sei que guardo meu corpo entre parênteses, na esperança de um dia descobrir sua real serventia] com extras de reticências
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
¬um olhar de paisagem
através de uma lente, selecionamos a cena que mais nos agrada, definida pelos critérios que vamos estabelecendo ao longo de uma vida, mediada pelas experiências, gostos e desgostos. um olhar na paisagem pode significar um olhar para o outro, mas também pode ser um olhar d'outro. é preciso, porém, aos dois olhares, assim como numa máquina, ajustar o foco e exercitar conceitos, entre muitos, como ética, moral, razão, discernimento e respeito, que vão além de um gosto, ou de um prazer. sem perder o foco. ou a luz.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
¬
como quem dispensa o sangue que [me] corre nas veias, abro a cela e descanso das palavras enclausuradas. monologo e dialogo. singular de uma vida marcada a ferro e fogo. plural de confiança. não há sonhos. não há asas. não há acentos. mas há brasas de uma esperança que nunca se cansa. o que não foi escrito, reinventa-se. o que não foi vivido, supera-se. mesma página. mesma tinta. menos o mesmo do sentido. se não deixo a chave de todos os segredos, pelo menos deixo o enredo. não basta ler, é preciso acolher. nunca adivinhar.
sábado, 6 de agosto de 2011
a maior estupidez do ser humano é pensar que o ódio, a raiva e a mágoa são sentimentos que valem a pena ser cultivados. perde-se mais tempo em alimentá-los que alimentar-se. perde-se o sono, a alegria e, há casos, que até a vontade viver. enquanto o outro, em sua ignorância, permanece ileso, vivendo em condições bem melhores que o infeliz que desperdiça tempo e energia em desejá-lo mal. é sábado e é feriado, e tenho preguiça de gente assim.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
vejo um rapaz conversando sobre seu dia com a namorada, ou mãe, talvez um irmão mais velho. também observo uma menina de seis anos, ou menos, manuseando um computador. mais acima, há uma persiana que não me permite determinar com exatidão que cômodo é aquele, talvez uma sala de estar, ao seu lado, uma varanda, o que faz com que minhas suspeitas sobre a sala se confirmem. permaneço na mesma posição por alguns minutos, com medo de que se fosse vista, ser acusada em fragrante delito. penso no meu olhar, curioso. penso nas muitas janelas que se abrem e se fecham todos os dias diante de nossos olhos, e que por algum motivo, não damos a importância devida. ou a não importância. lembro-me de que há um motivo, e justo, para estar ali, àquela hora, observando a vida, ainda que, através das janelas. respiro aliviada. alguém me chama, respondo que já vou, e vou. não antes de registrar a cena e tomar a devida precaução em fechar a minha própria janela.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
terça-feira, 2 de agosto de 2011
¬orto[consoante]
bês de cor. cês de demérito. dês de pretérito. efes de sabor. gês de sorte. agás de suporte. jotas de rótulo. cas de diferencial. eles de casulo. emes de nota musical. enes de respeito. pês de sem jeito. quês de certezas. erres de claridade. esses de cumplicidade. tês de leveza. vês de reconhecimento. dáblios de admiração. xis de agradecimento. ípsolons de sentimento. zêz de arrepio. dígrafos de cio. cedilhas de razão. pontos de exclamação. nenhum de interrogação. asas de reticências. aspas de circunferência. crases à oração para uma única vogal do abecedário de um vocabulário que não merece dois pontos de uma vírgula de atenção ao ponto final.
domingo, 31 de julho de 2011
¬rede oi
que fujo às regras da temática deste blog, sei. não falar sobre sexo, não me gabar das boas ações que fiz, ou que não fiz, não escrever poemas, não ser coerente e manter a caixa de comentários fechada não é a melhor das estratégias para se conquistar um público. também sei. não lambo nem mãos, nem palavras. não vendo livros, não publico artigos em revistas ou nada parecido. nem contra, nem a favor. o bonito do perfeito está no mais-que-perfeito. e isso não sei fazer. a conquista de um prazer não se limita ao número de orgasmos obtidos à custa de alguma fantasia. nem da verdade, nem da mentira. é algo que transcende. não nego a raiz branca dos meus cabelos louros. não lamento a falta de tinta à pena de uma vida vivida. ao contrário. orgulho-me. o ideal do verbo de ligação não se resume ao encontro vocálico desejado. há mais hiatos que podemos supor.
sábado, 30 de julho de 2011
¬equidistância
há palavras que adoçam a boca e a alma... e há palavras que não. a diferença entre uma e outra está na intenção, e depois, na interpretação. ler lábios não é tão importante quanto ler a alma, assim como, escrever com os lábios não é tão importante quanto escrever com o coração... e deixo o doce, senão da oração, da confraternização.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
¬cacofonia
horizontal, os pontos seguem reticentes à credibilidade do mistério das palavras, incendiando braseiros à distância... vertical, a linguagem escorre em doses perfumadas sem exalar a veracidade dos cheiros desejados... à periferia de uma cacofonia abissal.
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