segunda-feira, 28 de novembro de 2011








nem sempre é da imagem o melhor olhar. há também os ângulos. antes deles, o foco. um melhor olhar consiste na clareza de um objetivo que não inclua o [des]foco como prioridade. o dedo é do click, mas é da digital a impressão. assim, vou cruzando olhares e imprimindo meus dedos à qualidade de uma vida que não se mede pela quantidade de sins e de nãos que se apresentam na margem de uma linha, ou entrelinha, mas pela sensatez de um talvez que, não adivinhando a trilha, caminha ao encontro da paisagem. nem sempre a mais perfeita, é verdade! mas sempre a mais fiel.

sábado, 26 de novembro de 2011

¬e deixo na fantasia, a joia...








[boa viagem]








nesta noite, que me é primavera, desenho-me à sombra do outono. plantas e sorrisos misturam-se à paisagem bucólica, eucaliptos perfumam o caminho... e parto. levando n’asas o beijo que nunca sonhei... n’alma a tranquilidade das madrugadas que serenam à leveza da compreensão e da força que não me faltam, mesmo que o dia amanheça com a palavra fim... no corpo a certeza de que só um abraço para me salvar do verbo que não ouso conjugar. nas mãos a canção de boa viagem.

terça-feira, 22 de novembro de 2011









vivas, uma a uma, as rimas pingam e molham o verso no ventre livre do papel poema... subscrevendo a diagramação, ignoram a pontuação e tropeçam em antífens... as reticências pontilham o caminho, e lambendo o umbigo das entrelinhas, provocam cócegas à poesia. habilitada e desejada. riso regurgitado no proibido e permitido dito pelo não dito. desavisada risada de um chamado que atende pelo nome da terceira pessoa do verbo feminino. singular. e grita na folha seu beijo... presente!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011








¬caem os tremas










engana-se quem pensa que é da xerografia o embrião da caligrafia. as aspas garantem a autoria referencial e nominal. não ser criativa não me autoriza a ser copiativa. assumo a falta de inspiração, a oração principal é da respiração. carne, sangue, suor, saliva. é do pulsar da vida, da cor do dia, das mãos calejadas, do peito que aperta, afoga e geme. a originalidade prevalece na afetividade e na maturidade. e quem não acredita, ou duvida, que prove o contrário. ou do contrário, não me venha com comparações. não preciso saber escrever poemas para sentir a poesia. os verbos podem ser sôfregos, bêbados e loucos! posso cruzar os braços, mas não cruzo os dedos. sem rede de proteção é da verdade e da confiança a habilidade para a dança. nunca para as máscaras.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011









e de repente, a espera que tudo vai dar certo é descoberta como certa. mesmo que nem tudo esteja tão certo, que nem tudo seja tão certo. é a certeza da espera que esperou o momento certo para se acertar que prevalece... como a chegada certa.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

domingo, 13 de novembro de 2011

¬mãe e filha









a mão treme, mas a caligrafia não oscila. dúvidas? sempre as terei. tema para os próximos capítulos? nunca sei. uma página por dia. um dia de cada vez. uma palavra por vez. e de repente as frases preenchem as linhas e traçam os passos desse caminho. igual e diferente. menor e maior. pequeno e grande. forte e fraco. certo e errado. sentimentos à mistura de um amar de luta nem sempre de vitórias, mas de conquistas que validam a história de uma vida. ou duas.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

¬e cai a noite...







na certeza de um novo amanhecer, a vida, a apetecer... 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

¬sinais de pontu[ação]








e foi fracassando na tentativa inútil de salvar os parênteses à explicação que me descobri inapta a conviver com a ordem da exclamação. quanto mais procurava a origem das causas nas pontuações que me apresentavam, mais difícil e utópico se tornava o encontro com o ponto final. a indignação suprimia os espaços vazios e obstruíam a imaginação. perdida na entoação ascendente, nenhum travessão indicava a mudança do interlocutor, nem colocava em evidência a frase que me libertaria da linguagem reticente. sem saída, as aspas prevaleceram em pares. escrever foi a alternativa que encontrei para sobreviver. atravessei rios e mares, dancei na chuva, desenhei vírgulas e distribuí beijos. adotei dois gatos e perdi a conta das baratas que matei. traduzia em parágrafos toda a saudade de uma vida deixada à margem da pauta sem escorrer uma lágrima que fosse, ou uma dor que sabia ser proibida expressar. aprendi a chorar sorrindo e nunca mais desaprendi. a vida corria arrastada e a cada ponto-parágrafo renovava minha esperança e minha fé. saí de uma primavera para conhecer os dois pontos do verão. depois, vieram o outono e o inverno, novas primaveras e novos verões. e foi no outono que a entoação descendente livrou-me das aspas. maio nascia em seu primeiro dia trazendo reticências. uma nova vida para uma vida velha. hoje, quando folheio aquelas páginas, vislumbro um sorriso diferenciado pelo brilho de meu olhar. receita? não há. compactuo com a hipótese da importância do ponto e vírgula ser favorável à aprendizagem, mas não desprezo a linguagem do amor, da fé e da disciplina como fonte inesgotável de inspiração. e respiração. 

terça-feira, 1 de novembro de 2011

¬dó, ré, mi[M]









minhas melhores melodias não são aquelas por onde meus dedos escorregam nas teclas de meu velho piano, mas as que nascem da sintonia entre a cabeça e a pele, gestos que, em confluência com o toque de meus dedos, exalam notas que inscrevem-se na história de minha vida entrelaçando-se às histórias que aqui vivo, compartilho e usufruo. mesmo que vez por outra erre no tom, ou na harmonia, é sem qualquer tendência à hipocrisia. e quem ainda não entendeu a sinceridade de minha sinfonia, apenas lamento. e não por mim.

domingo, 30 de outubro de 2011








¬pelo escambo, por comiseração...









não! há muito melhor, há todo melhor. não estou, nem nunca estive concorrendo a nenhum prêmio, muito menos o de consolação. erro na concordância, troco vírgulas por pontos e não faço das reticências um mundo encantado, porque o encanto da minha caligrafia está em reconhecer-me incapaz, e sendo capaz de escrever sobre minhas imperfeições, não desmoronar. 

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

¬luz, câmera e ação!









não sei das asas. sei dos pés. no chão. da vida a arrancar a carne e a remendar o que é possível. na caducidade do tempo, tudo passa. tudo seca. sangue, suor, lágrimas e saliva. toda a dor um dia acaba. toda a maldade cansa. toda a mentira dança. as dificuldades dos dias fazem parte da memória apenas como prova de que foram vividas. e vencidas. no fim, importa o pouco. do corpo, as mãos. ficam os beijos. ficam os sorrisos. e toda a luz de um saber que precisamos para acender os dias à realidade do que nos restou. no fim, ficam os partos sem dor. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011








há quem não espera pela compreensão e chora por estar perdido. e não era essa a procura? há quem prefira viver de lamentação e por assim ter desejado, questiona. e não era essa a finalidade? há quem não se espante pelo medo e não se conforte, nem se conforme, com o aperto. e fugir não era o objetivo?