domingo, 30 de outubro de 2011








¬pelo escambo, por comiseração...









não! há muito melhor, há todo melhor. não estou, nem nunca estive concorrendo a nenhum prêmio, muito menos o de consolação. erro na concordância, troco vírgulas por pontos e não faço das reticências um mundo encantado, porque o encanto da minha caligrafia está em reconhecer-me incapaz, e sendo capaz de escrever sobre minhas imperfeições, não desmoronar. 

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

¬luz, câmera e ação!









não sei das asas. sei dos pés. no chão. da vida a arrancar a carne e a remendar o que é possível. na caducidade do tempo, tudo passa. tudo seca. sangue, suor, lágrimas e saliva. toda a dor um dia acaba. toda a maldade cansa. toda a mentira dança. as dificuldades dos dias fazem parte da memória apenas como prova de que foram vividas. e vencidas. no fim, importa o pouco. do corpo, as mãos. ficam os beijos. ficam os sorrisos. e toda a luz de um saber que precisamos para acender os dias à realidade do que nos restou. no fim, ficam os partos sem dor. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011








há quem não espera pela compreensão e chora por estar perdido. e não era essa a procura? há quem prefira viver de lamentação e por assim ter desejado, questiona. e não era essa a finalidade? há quem não se espante pelo medo e não se conforte, nem se conforme, com o aperto. e fugir não era o objetivo?

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011

¬um ponto pelas reticências








e deito fora verbos na intermitência da escrita, desenhando contrastes sóbrios entre o preto e a cinza que voa no percurso frágil de uma consoante tinta, na conivência com o estigma da linguagem indigente à pauta de linhas dispostas de recolhidos sentires. se mesmo o mistério dos dias abre-me um parêntese para dois pontos sanguinários impondo-me seu poder discricionário, como não aceitar o novo acordo ortográfico quando o universo já era de proposição inversa à lei natural da caligrafia? adivinha ou não, sentia. ossos do ofício liberavam a endorfina, desde que a matéria de capa não fosse uma fatia de epee, o efeito analgésico aliviava a derrapada na urgência da disciplina. paciência. só não aliviava o esforço da caridade exposta na matriz óssea. essa não. porque nada substitui a gratuidade da oração, como as células que pingavam gota por gota da mais profunda emoção, e que agora, nem gota, nem pinga. é sólido. sangue e matéria acondicionados numa proveta até serem ativados por um novo diagnóstico. ou, aguardar que o ruído na comunicação entre as células defina o prognóstico das reticências pelo ponto. final.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

sábado, 15 de outubro de 2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

¬exiguidade pre-posi[tada]








antes o tecido batido curtido decrescido defectivo torcido puído vencido escritura à literatura verbo redigido bandido ferido fétido mentido urdido

sábado, 8 de outubro de 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

¬preconceito, discriminação e estigma








faltam aspas à sociedade que corrobora com o preconceito e com a discriminação, acentuando as desigualdades e fomentando o estigma e a exclusão social. falta uma vírgula que suporte um ponto a escrever uma história com um final diferente à diferença que a define como marginal. falta. falta uma exclamação à garantia da ética de igualdade, baseada no respeito moral e no direito de ser diferente e plural, sem representar uma ameaça à sociedade. falta um ponto final à indiferença do tema, quando na realidade nunca deixará de ser pontuada na demanda fugidia das reticências... só não falta um ponto parágrafo à convicção de defender o próprio direito sem parecer contraditória. ou hipócrita.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

¬minha boneca









ela ficou sozinha, cercada de solidão e silêncio. jogada em meio aos destroços no fundo de um armário... como se chorasse, como se sofresse, coitadinha, como se soubesse que um dia as bonecas da vida também ficam jogadas num armário qualquer depois que o brinquedo termina.

terça-feira, 4 de outubro de 2011








do outro lado da margem, ou da ponte, uma consoante observa um papel de escrita colorida e letras miúdas, onde soadas carícias encantam a poesia intelectual de fundo enigmático. arte condensada em partituras indecifráveis sobre um chão de transparência melancólica, mas envolvente o bastante para encurtar a distância que existe entre linhas e entrelinhas paralelas e comunicar-se na linguagem do coração com a leitura desejada. desvelada a esfinge, escrita e leitura complementam-se e colhem estrelas no jardim do céu. a consoante, desperta da paisagem, agora sabe que é da alma o sabor a beijo. não da boca.