terça-feira, 25 de outubro de 2011
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
terça-feira, 18 de outubro de 2011
¬um ponto pelas reticências
e deito fora verbos na intermitência da escrita, desenhando contrastes sóbrios entre o preto e a cinza que voa no percurso frágil de uma consoante tinta, na conivência com o estigma da linguagem indigente à pauta de linhas dispostas de recolhidos sentires. se mesmo o mistério dos dias abre-me um parêntese para dois pontos sanguinários impondo-me seu poder discricionário, como não aceitar o novo acordo ortográfico quando o universo já era de proposição inversa à lei natural da caligrafia? adivinha ou não, sentia. ossos do ofício liberavam a endorfina, desde que a matéria de capa não fosse uma fatia de epee, o efeito analgésico aliviava a derrapada na urgência da disciplina. paciência. só não aliviava o esforço da caridade exposta na matriz óssea. essa não. porque nada substitui a gratuidade da oração, como as células que pingavam gota por gota da mais profunda emoção, e que agora, nem gota, nem pinga. é sólido. sangue e matéria acondicionados numa proveta até serem ativados por um novo diagnóstico. ou, aguardar que o ruído na comunicação entre as células defina o prognóstico das reticências pelo ponto. final.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
sábado, 15 de outubro de 2011
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
¬exiguidade pre-posi[tada]
antes o tecido batido curtido decrescido defectivo torcido puído vencido escritura à literatura verbo redigido bandido ferido fétido mentido urdido
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
sábado, 8 de outubro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
¬preconceito, discriminação e estigma
faltam aspas à sociedade que corrobora com o preconceito e com a discriminação, acentuando as desigualdades e fomentando o estigma e a exclusão social. falta uma vírgula que suporte um ponto a escrever uma história com um final diferente à diferença que a define como marginal. falta. falta uma exclamação à garantia da ética de igualdade, baseada no respeito moral e no direito de ser diferente e plural, sem representar uma ameaça à sociedade. falta um ponto final à indiferença do tema, quando na realidade nunca deixará de ser pontuada na demanda fugidia das reticências... só não falta um ponto parágrafo à convicção de defender o próprio direito sem parecer contraditória. ou hipócrita.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
¬minha boneca
ela ficou sozinha, cercada de solidão e silêncio. jogada em meio aos destroços no fundo de um armário... como se chorasse, como se sofresse, coitadinha, como se soubesse que um dia as bonecas da vida também ficam jogadas num armário qualquer depois que o brinquedo termina.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
do outro lado da margem, ou da ponte, uma consoante observa um papel de escrita colorida e letras miúdas, onde soadas carícias encantam a poesia intelectual de fundo enigmático. arte condensada em partituras indecifráveis sobre um chão de transparência melancólica, mas envolvente o bastante para encurtar a distância que existe entre linhas e entrelinhas paralelas e comunicar-se na linguagem do coração com a leitura desejada. desvelada a esfinge, escrita e leitura complementam-se e colhem estrelas no jardim do céu. a consoante, desperta da paisagem, agora sabe que é da alma o sabor a beijo. não da boca.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
domingo, 2 de outubro de 2011
sem hipóteses. não há vida em doses fracionadas. não existe alívio em bulas de remédios, nem em consultas telefônicas. há vezes que cuspir ou engolir não é uma opção. é uma questão de administração, sem negar o efeito deletério. o sofrimento não consiste no gosto amargo do medicamento, nem na injeção na veia. a proporcionalidade terapêutica, parte da assistência paliativa que não tem função curativa, está no choque entre a realidade e a mesma realidade. no pinga soro suado que escorre atrás da máscara branca que sufoca, mas que também evita a contaminação cruzada. no nível da compressão aplicado até atingir o limite máximo da aflição suportada. sempre a mais. não é do verbo a dor. é do efeito adverso que é maior que a própria dor.
sábado, 1 de outubro de 2011
¬promessas de outubro
vou dormir ponto final para acordar vírgula, trabalhar pronomes e fórmulas para distinguir os sinais. vou esquecer o tempo das pontuações reticentes e juntar os pontinhos. alternando vogais e consoantes, vou desenhar um caminho de palavras até resgatar o verbo do infinitivo. vou colar minhas digitais nas suas mãos prometidas e vou beijar-lhe a face como quem beija o grande amor de sua vida.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
não estragar a foto, não perder o foco, não tapar o rosto, não rasgar o verbo, não cobrar o imposto, não roubar a crase, não ficar no quase, não lavar as mãos, não subestimar os nãos, não quebrar o broto, não queimar o dedo, não morder os lábios, não fechar os olhos, não trocar os advérbios, não reembolsar o cabeçalho, não separar as reticências... e não desprezar as adjacências.
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