domingo, 2 de outubro de 2011
sem hipóteses. não há vida em doses fracionadas. não existe alívio em bulas de remédios, nem em consultas telefônicas. há vezes que cuspir ou engolir não é uma opção. é uma questão de administração, sem negar o efeito deletério. o sofrimento não consiste no gosto amargo do medicamento, nem na injeção na veia. a proporcionalidade terapêutica, parte da assistência paliativa que não tem função curativa, está no choque entre a realidade e a mesma realidade. no pinga soro suado que escorre atrás da máscara branca que sufoca, mas que também evita a contaminação cruzada. no nível da compressão aplicado até atingir o limite máximo da aflição suportada. sempre a mais. não é do verbo a dor. é do efeito adverso que é maior que a própria dor.
sábado, 1 de outubro de 2011
¬promessas de outubro
vou dormir ponto final para acordar vírgula, trabalhar pronomes e fórmulas para distinguir os sinais. vou esquecer o tempo das pontuações reticentes e juntar os pontinhos. alternando vogais e consoantes, vou desenhar um caminho de palavras até resgatar o verbo do infinitivo. vou colar minhas digitais nas suas mãos prometidas e vou beijar-lhe a face como quem beija o grande amor de sua vida.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
não estragar a foto, não perder o foco, não tapar o rosto, não rasgar o verbo, não cobrar o imposto, não roubar a crase, não ficar no quase, não lavar as mãos, não subestimar os nãos, não quebrar o broto, não queimar o dedo, não morder os lábios, não fechar os olhos, não trocar os advérbios, não reembolsar o cabeçalho, não separar as reticências... e não desprezar as adjacências.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
¬luto
beijei todas as letras e pedi ao vento que me trouxesse de volta as folhas perfumadas cheirando a verbos frescos, pedi. mas ele trouxe a ventania e a tempestade. apagou a luz, separou os ossos da pele e deixou rastros de sangue, varrendo para longe de mim a vontade sorrir. não há varinha mágica, nem fada madrinha, no mundo dos grafites vence quem tem mais cor. se antes experimentei a autoridade do calar a voz e pensei que sabia tudo, hoje sei que pior, muito pior, é perder o direito de escrever.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
terça-feira, 13 de setembro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
¬não é fácil, mas é simples!
é preciso reconhecer que perdi. a carteira ou a pulseira. a crase ou a frase. posso adivinhar a busca, mas não posso acertar no encontro. ou, no achado. é preciso admitir mais que erros ou falta de acertos. se há imagens que não traduzem o sentimento, calar não convence o que não tem convencimento. é preciso conjugar o verbo, ainda que em forma de denúncia ou confissão, e deixar que os dedos sejam os mensageiros do coração. é preciso reconhecer que enquanto subia e descia linhas e entrelinhas, imprimindo no caminho pétalas e perfumes, o cursor apontava ao escárnio das palavras que me chegam em notas de rodapé. paráfrases que nem a mais inepta das criaturas poderia ignorar. ou, fugir à realidade. de virtual, basta o meio. estou inteira à sobriedade. quem espera encontrar o diferente errou de porta. ou, de janela. o melhor desse mundo é a opção que temos de virar as costas, ou a página, sem lamentar a sorte, ou o azar. por gosto ou preferência. a mesma janela que pode ser aberta diariamente, também pode ser fechada definitivamente. responsabilizar o céu, ou a lua, ou a falta de iluminação suficiente à obviedade dos fatos é que não. o verbo, longe da perfeição, por pior que seja, ou mais imperfeito, sem graça e sem jeito, é o meu verbo. e o conjugo na mais perfeita sinceridade, sem mendicância de reciprocidade. reconhecer a perda não me faz cessar a busca, mas me ajuda a superar os danos e a me prevenir contra eventuais objetos de riscos. ou, sarcasmos. não devolvo a sílaba, nem os orgasmos. sem demora, é hora de hibernar, não sem antes lembrar que sou aquela quem muito viveu por tão pouco que se desejou e tão feliz que foi por muito que amou. e saio de mãos dadas com o que há de melhor em mim: minhas próprias razões.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
aqui, neste pequeno grande caderno, coleciono verbos e imagens, tintas e gestos. abri aspas, fechei aspas, pontuei, virgulei, fui recordista de traços incertos e assumi todos os riscos. desprezei linhas e regras, perdi, ganhei, nasci, morri e renasci uma infinidade de vezes. escrevi pautas e rasguei bilhetes, soprei sorrisos e pinguei soro. fui vogal e consoante numa mesma folha de papel. sujeito simples, composto e indeterminado, concordante e discordante de um único verbo de reconciliação. contei dias e contei objetos. conheci letras e juntei palavras perfumadas à sinceridade dos melhores aromas sem perder a essência de minha fórmula principal. não aprendi a voar, não aprendi a sonhar, mas aprendi a fazer do pouso meu melhor repouso. sobretudo, aprendi a conjugar o verbo amar antes de dizer adeus.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
¬e setembro chegou
'til, til, til' e uma consoante pede passagem. é preciso atravessar a ponte, deixar cair acentos e caminhar despida de essência crítica. aceder ao radical do verbo sua variação, e conjugando-o de forma racional, ler linhas e compreender a função extremista das entrelinhas que habita os rodapés à margem de um abecedário covil. trocar minúsculas por maiúsculas, abrir a porta, sorrir e antecipar as boas vindas a setembro: Muito prazer, meu nome é Ƭ.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
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