quinta-feira, 14 de julho de 2011








nem saberia dizer de onde, nem tampouco precisar a data. do nada chegou e ali ficou, parada a me olhar... umas vezes sabia que aquele olhar era meu, outras... encontrava-o perdido, para além de mim mesmo... ela via mais que olhava e eu desviava o olhar.... mirando meus olhos no vazio de seus olhos, sentia-me visado... uns dias sol, outros nuvens... nunca tempestade... uns dias conforto, outros desassossego... nenhum confronto... eu olhava, querendo ver o que não devia ser visto e olhando enquanto não via, ela se revelava... entre olhares, algumas palavras foram ditas, outras omitidas... muitas negadas... desconfiado do servir do olhar que nada vendo tudo via e sentia, como dizia, cegava-me... e o olhar a segredar, pousava asas e planava, a mirar-me como alvo certo... e era na visão periférica duvidosa, que todas as convicções se encontravam... seus olhos, vendo sem olhar, alcançavam-me, não resistindo, racionalizava, sublimando aqueles olhos que sob a pele sangravam... descortinados. meus olhos, agora sei, eram luz na estrada sombria de seus olhos, que de tanto olhar, viam e vendo, refletiam em pronome possessivo masculino plural... cegos.




























terça-feira, 12 de julho de 2011

domingo, 10 de julho de 2011

quinta-feira, 7 de julho de 2011

terça-feira, 5 de julho de 2011







sou brasileira. sou mulher. não sou dama, mas não estou para seu inverso. falta-me originalidade na administração de meu blog, mas nunca quanto à minha vida. não sei escrever o bonito dos versos. minha inteligência, senão nula, limitada. tenho mais defeitos que virtudes. cometo erros numa proporção superior aos acertos, mas não desisto de acertar. tenho preguiça de mentira. não escambo comentários. não negocio hipocrisia. não sou boa companhia. sou favorável às críticas, sem restrições. o que não me mata, me ensina a viver. e se não aprendo, pelo menos experimento a sensação de ter tentado. não dependo da aprovação de ninguém para SO-breviver, mas estou cansada de ser reprovada. meu passado me condena. meu presente deveria me redimir, mas já perdi a esperança da absolvição. não tenho o melhor emprego do mundo, mas tenho a melhor profissão do mundo. não tenho vergonha de admitir minhas fragilidades. nem minhas dificuldades. fujo da luta, mas não me dou por vencida. nem por convencida. minhas convicções superam minhas dúvidas, mas não as desprezo. sou domesticada o bastante para compreender que cada um só dá o que tem.  não cheiro a perfume francês, mas não cheiro tão mal assim. não alivio a consciência de ninguém, muito menos a minha. enfim, numa escala de zero a dez, nota um. paciência. também eu, só dou o que tenho. 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

sexta-feira, 1 de julho de 2011









online versus offline. o meio oferece inúmeras oportunidades da pessoa 'ser', podendo optar entre ela mesma, parte dela, outra pessoa ou parte de outra pessoa. entre a fantasia e a realidade, a fantasia. ou a realidade. terapêutico ou patológico, o anonimato tem efeito desinibidor sobre expressões e sensações. os conflitos são superados, não há complexo, nem de superioridade, nem de inferioridade. frustrações e tristezas encontram cúmplices e solidariedade. os trajes virtuais possibilitam as mais diversas identidades. o anonimato oferece um grau de honestidade que não se permite na vida real, mas também pode permitir uma desonestidade sem igual. bandido ou mocinho, a gosto. ou a contragosto. outro aspecto de grande importância é o nivelamento do status, ou seja, a tão desejada igualdade social. a geografia é irrelevante. a ilusão satisfaz, cavalga à rédeas soltas e acaricia milhões de egos no mundo inteiro. de fato, é um mundo fascinante, mas perigoso. nem tudo é fantasia.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

quarta-feira, 29 de junho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

domingo, 26 de junho de 2011









a vogal dilata e marca a ferro e a fogo a consoante que meu nome finda. e antes que arranque a língua ou quebre o dedo, pouso à folha em branco que guarda todos os meus segredos e rendo-me ao encanto das horas corridas a salivas no tempo acertado das linhas que um dia, sem querer, deixei cair sobre a minha pele. seca. admito a culpa, e nua confessa, juro a eternidade para além do verbo dessa vida. só porque preciso dizer que amo[te] antes que o dia amanheça.

sexta-feira, 24 de junho de 2011








melhor não ter essência a conquistá-la ao preço de qualquer hipocrisia

sexta-feira, 17 de junho de 2011

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pingo soro.
deixo parte de mim... a melhor... e vou-me embora para o mundo dos pontos finais
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quinta-feira, 16 de junho de 2011

¬Fernando Echevarría, Discurso do Método









"Aquele outro que nos lê
lê-nos outro, e entre os dois,
não há antes nem depois.

Nem há dois, nem mesmo entre;
mas uma mágoa tão dada
que ler outro é a semente
de sermos só um na mágoa.

E na mágoa em que se lê
não há antes nem depois
mas um vagar sem os dois."

segunda-feira, 13 de junho de 2011

sexta-feira, 10 de junho de 2011

¬dez de junho de dois mil e nove









elegante e absoluto, o pronome escrevia à oração restritiva de liberdade e num instante perfumava a folha de serenidade. condicional, a oração respondia sem abreviação com sua linguagem boçal. nenhuma distinção era óbice aos sentimentos que cresciam da admiração pelo pronome. vértice. não escreviam poemas, mas subscreviam poesia. não faziam amor, mas não faziam guerra. nenhum pré conceito. de vez em quando faltava papel e sobrava pincel, mas nunca careciam de tinta. nascia o respeito. se prólogo, se epílogo, não se sabe. se cópia ou original, tampouco. a autenticidade prevalece. juntos, contam a história e fazem a história. e mais... no muito deles, a conta dela. que venham os verbos.

quinta-feira, 2 de junho de 2011









não qualquer cansaço... meu cansaço tem nome, sobrenome e até telefone, eventualmente algum endereço eletrônico e uma saudade que não dorme nunca.

terça-feira, 31 de maio de 2011









senhores passageiros,  bem vindos à bordo, favor não confundir verbo com advérbio. por medidas de segurança, protejam a ortografia do vocabulário e permaneçam com o cinto atado durante todo o vôo. depois não digam que não avisei. em caso de emergência, entrem em pânico e desfrutem do perigo. bon voyage.

segunda-feira, 30 de maio de 2011









hoje não tenho chave. hoje não tenho nome. é bom estar de volta e sentir o cheiro dos verbos fechados a silêncio e ter vontade de conversar com as gavetas que guardam meus segredos. hoje não tenho tamanho. mantenho a discrição e sorrio, admirada. hoje não tenho idade. posso ser menina ou anciã. hoje não reclamo da ceia que o diabo amassa o pão e me serve como prato principal. estou em casa e minha intimidade com os talheres mata minha fome.

sexta-feira, 27 de maio de 2011









o medo de altura justifica o pouso permanente. a vantagem consiste na obrigação da caminhada, e mesmo que os passos não sejam largos, são certos e nunca sobre uma corda bamba.

quinta-feira, 26 de maio de 2011









"...nós vivemos numa cultura que santifica o pobrezinho, o coitadinho, e a Flora sabia fazer esse papel muito bem... ao passo que você sempre foi uma mulher forte, ambiciosa, altiva... e acaba se voltando contra você... porque nesse mundo não há perdão para os fortes..."

quarta-feira, 25 de maio de 2011









o tempo passa. a vida passa. alguma coisa acontece e... crescemos. ou de'crescemos. aperfeiçoamo-nos. amadurecemos. ou des'amadurecemos. o tempo continua passando. a vida também. algumas coisas continuam acontecendo... e envelhecemos. ou não.

domingo, 22 de maio de 2011

¬a portas fechadas









a busca é voraz. antecipo o nervoso da verborreia e anuncio à plateia que é inútil. não conte com palavras na boca de quem nunca as dirá. e daí, que o verbo, intencional, assoberba a vogal? e daí?!! num mundo de vidas obscuras, perfis risonhos e de pseudos literatos, a troca de gentilezas é pura demagogia. antes não ser desse mundo. antes ser uma oração de míseras lacunas a ser consumida pela fragilidade de um sucesso efêmero. pouco importa que me vejam como louca ou muito louca. admito que não sou desse mundo. admito mais, não sei fazer o bonito das palavras pela troca miserável do escambo vagabundo. estrangulo parágrafos, uso e abuso de vírgulas, mitifico sinais que somente a mim dizem respeito, subo e desço com acentos circunflexos ou retos e corto palavras por quantas vezes quiser. dane-se o dicionário! [grito] idem ao vocabulário! e favoreço-me do privilégio de não ser privilegiada, com muito prazer.

quinta-feira, 19 de maio de 2011









e lembro-te das falanges a tocar a mais bela das sinfonias, melodias... minhas.

quarta-feira, 18 de maio de 2011









não aprendi a nadar. não sei boiar. e recuso-me a viver de bordas. sem saída, submerjo.

terça-feira, 17 de maio de 2011









entre o bocejo e o desejo...

domingo, 15 de maio de 2011

¬e levo as asas...









hora de partir. a via, a travessia. outra vida, na mesma vida. 

sexta-feira, 13 de maio de 2011








"Sempre se pode olhar para que lado fica o norte; ou, na dúvida, decidir o rumo na sorte."

quarta-feira, 11 de maio de 2011

¬desfocada... nunca ignorada!









lua minha...  adivinha linha de minha vida... lua de vergonha desavergonhada... agradecida daninha... 
testemunha aninha...  lua... minha.

terça-feira, 10 de maio de 2011









antes o suplício se resumisse ao verbo de desígnio essencial ou acidental, ou à vogal remanescente que voa pelo céu de minha boca procurando abrigo. é algo mais. a pontuação é reticente, os artigos são marginais, o numeral é ordinal, ditongos e tritongos nem crescem, nem decrescem. a monossílaba repousa agora sob a folha de papel de seda, e confessa, suspira aliviada. pode ser que o segredo da vitória esteja na omissão. ou no sofismo. pode ser. hesito. melhor o mutismo e fazer do ouvido uma voz obrigatória.

¬d'água...








segunda-feira, 9 de maio de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

¬Retrato de Mãe









Uma Simples mulher existe que, pela imensidão de seu amor, tem um pouco de Deus;

e pela constância de sua dedicação, tem muito de anjo; que, sendo moça pensa como uma anciã e, sendo velha, age com as forças todas da juventude;

quando ignorante, melhor que qualquer sábio desvenda os segredos da vida e, quando sábia, assume a simplicidade das crianças;

pobre, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama, e, rica, empobrecer-se para que seu coração não sangre ferido pelos ingratos;

forte, entretanto estremece ao choro de uma criancinha, e, fraca, entretanto se alteia com a bravura dos leões;

viva, não lhe sabemos dar valor porque à sua sombra todas as dores se apagam, e, morta tudo o que somos e tudo o que temos daríamos para vê-la de novo, e dela receber um aperto de seus braços, uma palavra de seus lábios.

Não exijam de mim que diga o nome desta mulher se não quiserem que ensope de lágrimas este álbum: porque eu a vi passar no meu caminho.

Quando crescerem seus filhos, leiam para eles esta página: eles lhes cobrirão de beijos a fronte; e dirão que um pobre viandante, em troca da suntuosa hospedagem recebida, aqui deixou para todos o retrato de sua própria Mãe.


Don Ramon Angel Jara 

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¬nem sempre o olhar é culpado.








sexta-feira, 6 de maio de 2011









e há as noites silenciosas, desencantando a verborréia do sol a pôr e a mão, ausentes de vogais precedidas de sinônimos avessos no cio das frases que nem por punhal de orações seriam anunciadas. e depois os dias das rotinas de descobrir feridas e copiá-las ao verso do papel, acordando alivio às tardes sonolentas. era só mais uma noite. ou menos uma.

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quinta-feira, 5 de maio de 2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

terça-feira, 3 de maio de 2011

¬substantivo feminino









não fui aquela que beijou-te a boca, nem a outra que abraçou-te o corpo. não fui paixão, nem dei-te as mãos. não escrevi-te cartas, nem assinei meu nome na tua carne. não fui pronome, nem cognome. não morri de dor, nem de fome, para morrer de amor e renascer-te verbo. ler-te verso e alvorecer mulher!