domingo, 21 de agosto de 2011
"O que mata um jardim não é mesmo alguma ausência, nem o abandono... O que mata um jardim é esse olhar vazio de quem por eles passa indiferente."
Mario Quintana, "A Cor do Invisível"
como ser diferente sem ser diferenciada?sábado, 20 de agosto de 2011
onda sim, onda não... a vida acontece, e o amor, esse verbo singular e ímpar, derrete uma prece de oração plural, onde aporto um mar de mim que não comporta o mínimo e o menor, transbordo em líquido virginal e deixo de ser pequena para ser maior. onda sim, onda não... ancoro na palma da tua mão e amanhece quando anoitece.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
terça-feira, 16 de agosto de 2011
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
um passo em falso e a colisão é fatal com a fratura exposta. lamentei cada espaço em branco da folha que não foi escrita. revivi todos os discordantes nominais e verbais apelatórios e todo o passado de papel presente discriminatório. chorei todas as quinhentas e dezessete conjunções condicionais que acordavam noites aos pesadelos de meus dias. assinar o obituário seria um acordo com a covardia, garantia dos mais fracos. recuar ou avançar? juntar os cacos. e sangrei, consolada.
sábado, 13 de agosto de 2011
¬quando nenhuma imagem corresponde ao sentir[mento]
há cicatrizes que nunca deixarão de ser feridas.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
¬entre o cabeçalho e o rodapé
não sei se aspas ou travessão. se negrito ou itálico. não sei se exclamação ou interrogação. se subscrito ou sobrescrito. não sei se centralizo ou justifico. se sublinho ou se risco. não sei se dois pontos ou asterisco. se virgulo ou se pontuo. e se pontuo, se parágrafo ou final. não sei se editorial ou marginal. se pessoal ou nominal. não sei se cuspo ou se engulo. se rotulo ou se copulo. não sei se rimo ou se sorrio. se lastimo ou se sublimo. não sei se consequência ou consciência. se feitiçaria ou se feitio. [sei que guardo meu corpo entre parênteses, na esperança de um dia descobrir sua real serventia] com extras de reticências
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
¬um olhar de paisagem
através de uma lente, selecionamos a cena que mais nos agrada, definida pelos critérios que vamos estabelecendo ao longo de uma vida, mediada pelas experiências, gostos e desgostos. um olhar na paisagem pode significar um olhar para o outro, mas também pode ser um olhar d'outro. é preciso, porém, aos dois olhares, assim como numa máquina, ajustar o foco e exercitar conceitos, entre muitos, como ética, moral, razão, discernimento e respeito, que vão além de um gosto, ou de um prazer. sem perder o foco. ou a luz.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
¬
como quem dispensa o sangue que [me] corre nas veias, abro a cela e descanso das palavras enclausuradas. monologo e dialogo. singular de uma vida marcada a ferro e fogo. plural de confiança. não há sonhos. não há asas. não há acentos. mas há brasas de uma esperança que nunca se cansa. o que não foi escrito, reinventa-se. o que não foi vivido, supera-se. mesma página. mesma tinta. menos o mesmo do sentido. se não deixo a chave de todos os segredos, pelo menos deixo o enredo. não basta ler, é preciso acolher. nunca adivinhar.
sábado, 6 de agosto de 2011
a maior estupidez do ser humano é pensar que o ódio, a raiva e a mágoa são sentimentos que valem a pena ser cultivados. perde-se mais tempo em alimentá-los que alimentar-se. perde-se o sono, a alegria e, há casos, que até a vontade viver. enquanto o outro, em sua ignorância, permanece ileso, vivendo em condições bem melhores que o infeliz que desperdiça tempo e energia em desejá-lo mal. é sábado e é feriado, e tenho preguiça de gente assim.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
vejo um rapaz conversando sobre seu dia com a namorada, ou mãe, talvez um irmão mais velho. também observo uma menina de seis anos, ou menos, manuseando um computador. mais acima, há uma persiana que não me permite determinar com exatidão que cômodo é aquele, talvez uma sala de estar, ao seu lado, uma varanda, o que faz com que minhas suspeitas sobre a sala se confirmem. permaneço na mesma posição por alguns minutos, com medo de que se fosse vista, ser acusada em fragrante delito. penso no meu olhar, curioso. penso nas muitas janelas que se abrem e se fecham todos os dias diante de nossos olhos, e que por algum motivo, não damos a importância devida. ou a não importância. lembro-me de que há um motivo, e justo, para estar ali, àquela hora, observando a vida, ainda que, através das janelas. respiro aliviada. alguém me chama, respondo que já vou, e vou. não antes de registrar a cena e tomar a devida precaução em fechar a minha própria janela.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
terça-feira, 2 de agosto de 2011
¬orto[consoante]
bês de cor. cês de demérito. dês de pretérito. efes de sabor. gês de sorte. agás de suporte. jotas de rótulo. cas de diferencial. eles de casulo. emes de nota musical. enes de respeito. pês de sem jeito. quês de certezas. erres de claridade. esses de cumplicidade. tês de leveza. vês de reconhecimento. dáblios de admiração. xis de agradecimento. ípsolons de sentimento. zêz de arrepio. dígrafos de cio. cedilhas de razão. pontos de exclamação. nenhum de interrogação. asas de reticências. aspas de circunferência. crases à oração para uma única vogal do abecedário de um vocabulário que não merece dois pontos de uma vírgula de atenção ao ponto final.
domingo, 31 de julho de 2011
¬rede oi
que fujo às regras da temática deste blog, sei. não falar sobre sexo, não me gabar das boas ações que fiz, ou que não fiz, não escrever poemas, não ser coerente e manter a caixa de comentários fechada não é a melhor das estratégias para se conquistar um público. também sei. não lambo nem mãos, nem palavras. não vendo livros, não publico artigos em revistas ou nada parecido. nem contra, nem a favor. o bonito do perfeito está no mais-que-perfeito. e isso não sei fazer. a conquista de um prazer não se limita ao número de orgasmos obtidos à custa de alguma fantasia. nem da verdade, nem da mentira. é algo que transcende. não nego a raiz branca dos meus cabelos louros. não lamento a falta de tinta à pena de uma vida vivida. ao contrário. orgulho-me. o ideal do verbo de ligação não se resume ao encontro vocálico desejado. há mais hiatos que podemos supor.
sábado, 30 de julho de 2011
¬equidistância
há palavras que adoçam a boca e a alma... e há palavras que não. a diferença entre uma e outra está na intenção, e depois, na interpretação. ler lábios não é tão importante quanto ler a alma, assim como, escrever com os lábios não é tão importante quanto escrever com o coração... e deixo o doce, senão da oração, da confraternização.
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