quarta-feira, 10 de agosto de 2011

¬









como quem dispensa o sangue que [me] corre nas veias, abro a cela e descanso das palavras enclausuradas. monologo e dialogo. singular de uma vida marcada a ferro e fogo. plural de confiança. não há sonhos. não há asas. não há acentos. mas há brasas de uma esperança que nunca se cansa. o que não foi escrito, reinventa-se. o que não foi vivido, supera-se. mesma página. mesma tinta. menos o mesmo do sentido. se não deixo a chave de todos os segredos, pelo menos deixo o enredo. não basta ler, é preciso acolher. nunca adivinhar.

sábado, 6 de agosto de 2011









a maior estupidez do ser humano é pensar que o ódio, a raiva e a mágoa são sentimentos que valem a pena ser cultivados. perde-se mais tempo em alimentá-los que alimentar-se. perde-se o sono, a alegria e, há casos, que até a vontade viver. enquanto o outro, em sua ignorância, permanece ileso, vivendo em condições bem melhores que o infeliz que desperdiça tempo e energia em desejá-lo mal. é sábado e é feriado, e tenho preguiça de gente assim.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011









vejo um rapaz conversando sobre seu dia com a namorada, ou mãe, talvez um irmão mais velho. também observo uma menina de seis anos, ou menos, manuseando um computador. mais acima, há uma persiana que não me permite determinar com exatidão que cômodo é aquele, talvez uma sala de estar, ao seu lado, uma varanda, o que faz com que minhas suspeitas sobre a sala se confirmem. permaneço na mesma posição por alguns minutos, com medo de que se fosse vista, ser acusada em fragrante delito. penso no meu olhar, curioso. penso nas muitas janelas que se abrem e se fecham todos os dias diante de nossos olhos, e que por algum motivo, não damos a importância devida. ou a não importância. lembro-me de que há um motivo, e justo, para estar ali, àquela hora, observando a vida, ainda que, através das janelas. respiro aliviada. alguém me chama, respondo que já vou, e vou. não antes de registrar a cena e tomar a devida precaução em fechar a minha própria janela.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011



talvez em outra vida, se existir...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

¬orto[consoante]









bês de cor. cês de demérito. dês de pretérito. efes de sabor. gês de sorte. agás de suporte. jotas de rótulo. cas de diferencial. eles de casulo. emes de nota musical. enes de respeito. pês de sem jeito. quês de certezas. erres de claridade. esses de cumplicidade. tês de leveza. vês de reconhecimento. dáblios de admiração. xis de agradecimento. ípsolons de sentimento. zêz de arrepio. dígrafos de cio. cedilhas de razão. pontos de exclamação. nenhum de interrogação. asas de reticências. aspas de circunferência. crases à oração para uma única vogal do abecedário de um vocabulário que não merece dois pontos de uma vírgula de atenção ao ponto final.

domingo, 31 de julho de 2011

¬rede oi









que fujo às regras da temática deste blog, sei. não falar sobre sexo, não me gabar das boas ações que fiz, ou que não fiz, não escrever poemas, não ser coerente e manter a caixa de comentários fechada não é a melhor das estratégias para se conquistar um público. também sei. não lambo nem mãos, nem palavras. não vendo livros, não publico artigos em revistas ou nada parecido. nem contra, nem a favor. o bonito do perfeito está no mais-que-perfeito. e isso não sei fazer. a conquista de um prazer não se limita ao número de orgasmos obtidos à custa de alguma fantasia. nem da verdade, nem da mentira. é algo que transcende. não nego a raiz branca dos meus cabelos louros. não lamento a falta de tinta à pena de uma vida vivida. ao contrário. orgulho-me. o ideal do verbo de ligação não se resume ao encontro vocálico desejado. há mais hiatos que podemos supor.

sábado, 30 de julho de 2011









¬equidistância









palavras que adoçam a boca e a alma... e há palavras que não. a diferença entre uma e outra está na intenção, e depois, na interpretação. ler lábios não é tão importante quanto ler a alma, assim como, escrever com os lábios não é tão importante quanto escrever com o coração... e deixo o doce, senão da oração, da confraternização.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

quinta-feira, 28 de julho de 2011

¬cacofonia









horizontal, os pontos seguem reticentes à credibilidade do mistério das palavras, incendiando braseiros à distância... vertical, a linguagem escorre em doses perfumadas sem exalar a veracidade dos cheiros desejados... à periferia de uma cacofonia abissal.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

terça-feira, 26 de julho de 2011

sábado, 23 de julho de 2011

sexta-feira, 22 de julho de 2011

sábado, 16 de julho de 2011









uma terça de segunda, uma quarta pelo meio, uma quinta de sexta, uma sexta de quinta, um sábado de bandeira e um domingo de véspera para nenhuma segunda de primeira. já foi melhor. bem melhor! vai pelo mérito, demérito d'asas.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

¬obrigada a todos









um diA você trocou Minhas certezas por dúvidas... depois minhas dúvidas por cOnvicções... me deu suas mãos... seus olhos... e me ensinou um jeiTo diferente dE ver a vida. sentir [aindatranspõe...








nem saberia dizer de onde, nem tampouco precisar a data. do nada chegou e ali ficou, parada a me olhar... umas vezes sabia que aquele olhar era meu, outras... encontrava-o perdido, para além de mim mesmo... ela via mais que olhava e eu desviava o olhar.... mirando meus olhos no vazio de seus olhos, sentia-me visado... uns dias sol, outros nuvens... nunca tempestade... uns dias conforto, outros desassossego... nenhum confronto... eu olhava, querendo ver o que não devia ser visto e olhando enquanto não via, ela se revelava... entre olhares, algumas palavras foram ditas, outras omitidas... muitas negadas... desconfiado do servir do olhar que nada vendo tudo via e sentia, como dizia, cegava-me... e o olhar a segredar, pousava asas e planava, a mirar-me como alvo certo... e era na visão periférica duvidosa, que todas as convicções se encontravam... seus olhos, vendo sem olhar, alcançavam-me, não resistindo, racionalizava, sublimando aqueles olhos que sob a pele sangravam... descortinados. meus olhos, agora sei, eram luz na estrada sombria de seus olhos, que de tanto olhar, viam e vendo, refletiam em pronome possessivo masculino plural... cegos.