quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

¬Antes del comienzo








[Octavio Paz - 1914-1998]

Ruidos confusos,
claridad incierta
Otro día comienza.
Es un cuarto en penumbra
y dos cuerpos tendidos.
En mi frente me pierdo
por un llano sin nadie.
Ya las horas afilan sus navajas.
Pero a mi lado tú respiras;
entrañable y remota
fluyes y no te mueves.
Inaccesible si te pienso,
con los ojos te palpo,
te miro con las manos.
Los sueños nos separan
y la sangre nos junta:
somos un río de latidos.
Bajo tus párpados madura
la semilla del sol.
El mundo
no es real todavía,
el tiempo duda:
sólo es cierto
el calor de tu piel.
En tu respiración escucho
la marea del ser,
la sílaba olvidada del Comienzo.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

¬A arte de ser feliz








[Cecília Meireles, A arte de ser feliz. Em Escolha seu sonho, p. 24.]

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa, e sentia-me completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém minha alma ficava completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não a podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, e às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma regra: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros, e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Às vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo seu destino. E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

¬









um diA você trocou Minhas certezas por dúvidas... depois minhas dúvidas por cOnvicções...
me deu suas mãos... seus olhos... e me ensinou um jeiTo diferente dE ver a vida.

domingo, 5 de dezembro de 2010

¬Ruy Duarte de Carvalho









"Sustenta a intenção
Preserva a crença
E poupa a vontade

há-de ter um tempo
de grande vantagem
em que valeu perder para chegar lá."

sábado, 4 de dezembro de 2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

¬feliz aniversário!








 [fotografia e arte de A.L.]

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

¬sabor...








¬Yannis Ritsos








'escondo-me atrás das coisas simples para que tu me encontres, se não me encontrares, encontrarás as coisas, tocarás o que a minha mão já tocou, os traços juntar-se-ão, das nossas mãos, uma na outra...'

no "olhar" de Paula

domingo, 28 de novembro de 2010

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

sábado, 20 de novembro de 2010

¬Poema

Se morro
o universo se apaga como se apagam
as coisas deste quarto
se apago a lâmpada:
os sapatos - da - ásia, as camisas
e guerras na cadeira, o paletó -
dos - andes,
bilhões de quatrilhões de seres
e de sóis
morrem comigo.

Ou não:
o sol voltará a marcar
este mesmo ponto do assoalho
onde esteve meu pé;
deste quarto
ouvirás o barulho dos ônibus na rua;
uma nova cidade
surgirá de dentro desta
como a árvore da árvore.

Só que ninguém poderá ler no esgarçar destas nuvens
a mesma história que eu leio, comovido.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

¬Michelangelo Buonarroti








"Como faço uma escultura? Simplesmente retiro do bloco de mármore tudo que não é necessário."

¬Lord Keynes







"Não é função do governo fazer um pouco pior ou um pouco melhor o que os outros podem fazer, e sim fazer o que ninguém pode fazer."

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

¬silencio








[Alberto Mesferrer]

Silencio es recordar que toda palabra tiene un hoy y un mañana; es decir; un valor de momento y un alcance futuro incalculable.

Silencio es reconocer que los conflictos se resuelven mejor callando que hablando, y que el tiempo influye más en ellos que las palabras.

Silencio es no quejarse, para no aumentar las penas de los otros.

Silencio es decir HICE, en vez de HARÉ.

Silencio es la raíz y por eso sostiene.

Silencio es la savia, y por eso alimenta.

Silencio es el capullo donde la oruga se cambia en mariposa y silencio es la nube donde se forma el rayo.

Silencio es concretarse, seguir la propia órbita, hacer la propia obra, cumplir el propio designio.

Silencio es meditar, medir, pesar, aquilatar y acrisolar.

Silencio es la palabra justa, la intención recta, la promesa clara, el entusiasmo refrenado, la devoción que sabe a donde va.

Silencio es hablar uno calladamente con su propio dolor, y contenerlo hasta que se convierta en sonrisa, en plegaria, o en canto.

Silencio es, en fin, el reposo del sueño y el reposo de la muerte, donde todo se purifica y restaura, donde todo se iguala y perdona.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

¬Direitos Imprescritíveis do Leitor








  1. O direito de não ler.
  2. O direito de pular páginas.
  3. O direito de não terminar um livro.
  4. O direito de reler.
  5. O direito de ler qualquer coisa.
  6. O direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível).
  7. O direito de ler em qualquer lugar.
  8. O direito de ler uma frase aqui e outra ali.
  9. O direito de ler em voz alta.
  10. O direito de calar.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

¬








meu olhar torto... mas bem que te vi e bem que te senti no bem-te-vi que me vendo fez pose e sorriu para mim... e só depois, bem depois, bateu asas e voou.

¬1976







quarta-feira, 20 de outubro de 2010

"Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão.

Eles não têm pouso nem porto.

Alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem.

E olhas, então, essas tuas mãos vazias,

Na maravilha do espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti..."

Mario Quintana







um desafio. íntimo. pode ser o pior. é mesmo péssimo. mas é meu. por quanto tempo, não sei. até onde, também não sei. já segui tantas vezes sem garantia de ida ou de volta... e sempre voltei. no mais, no menos, é só um espaço, físico. outros valores, outras palavras e minhas convicções. essas, em linha reta, sem curva, sem ponto-pergunta. apresentem-me a fatura, o pagamento continua sendo à vista.

sábado, 16 de outubro de 2010







[imagem presente]

"Que minha solidão me sirva de companhia.
Que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo."


Clarice Lispector

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

¬Cah Morandi








"é como ter um mar inteiro para beber com os olhos."

sábado, 2 de outubro de 2010

"Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta."

terça-feira, 28 de setembro de 2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. [...] Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero o meu avesso. [...] Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. [...] Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo, loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que 'normalidade' é uma ilusão imbecil e estéril."
Oscar Wilde

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

¬substituir-te pelo vento

Deito fora as imagens.
Sem ti, para que me servem
as imagens?


Preciso habituar-me
a substituir-te pelo vento,
que está em qualquer parte
e cuja direcção
é igualmente passageira
e verídica.


Preciso habituar-me ao eco dos teus passos
numa casa deserta,
ao trémulo vigor de todos os teus gestos
invisíveis,
à canção que tu cantas e que mais ninguém ouve
a não ser eu.


Serei feliz sem as imagens.
As imagens não dão
felicidade a ninguém.


Era mais difícil perder-te,
e, no entanto, perdi-te.


Era mais difícil inventar-te,
e eu te inventei.

Posso passar sem as imagens
assim como posso
passar sem ti.


E hei-de ser feliz ainda que
isso não seja ser feliz.

Raul de Carvalho
[das páginas de Paula]

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

¬parabéns, Paula!








'só o silêncio do teu abraço'

terça-feira, 21 de setembro de 2010








café com leite, cravo e canela... alguns sabores são inconfundíveis, incomparáveis e essenciais... tim-tim!

domingo, 19 de setembro de 2010

¬Kalunga

"O mar é Kalunga
A morte é Kalunga
A fatalidade é Kalunga,
O trabalho escravo é Kalunga"

Antonio Agostinho Neto

¬A net estupili... estupidificou-nos

Para não fugir à regra... link'[e]mos'

Luiz Pedro Nunes

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

¬meu silêncio é sua companhia

compaixão. não a compaixão de dó, de piedade, mas aquela compaixão que significa sentir junto, sentar ao lado e viver as dores com o mesmo entusiasmo em que vivemos todas as alegrias, porque na solidão dos dias, da vida, à sombra de perdas e de tristezas, mesmo sem dizer coisa alguma, ainda existem amigos capaz de compreender tudo em silêncio.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

¬Clarice Lispector









"E era bom. 'Não entender' era tão vasto que ultrapassava qualquer entender – entender era sempre limitado. Mas não entender não tinha fronteiras e levara ao infinito, ao Deus. Não era um não-entender como um simples de espírito. O bom era ter uma inteligência e não entender. Era uma benção estranha como a de ter loucura sem ser doida. Era um desinteresse manso em relação às coisas ditas do intelecto, uma doçura de estupidez."

terça-feira, 7 de setembro de 2010







[imagem A.L.]







[e discos voadores a distribuir senhas]

domingo, 5 de setembro de 2010

sábado, 4 de setembro de 2010

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

¬ Mario Quintana







.
"Essas coisas que parece não terem beleza nenhuma é simplesmente porque não houve nunca quem lhes desse ao menos um segundo olhar!"

terça-feira, 31 de agosto de 2010

domingo, 29 de agosto de 2010

domingo, 15 de agosto de 2010

¬Charles Millhuff









"Muitas das circunstâncias da vida são criadas por três escolhas básicas: 
as disciplinas que você decide manter, as pessoas com quem você decide estar e as leis que você decide obedecer."

domingo, 8 de agosto de 2010








no alfabeto dolo, a cruz é premissa da culpa que não acorda sonhos, porque nenhuma verdade satisfaz. conceitos existem. preconceitos também. não há verbo que convença a razão que alimenta dúvidas. o cansaço não encurta distância e não faz crescer asas. a tábua de salvação é o oceano ao mergulho. sem saber nadar, submerge. se antes mãos a salvam no instante final, na superfície elas contribuem ao afogamento, tardio. no suspiro, no ar que não entra, a certeza de que podia não ter feito o melhor, mas a convicção de que se fez MElhor. cerra olhos e acorda. a verdade é sua única culpa.

¬pluralidade cognitiva, eu sinto!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010







[foto-presente]

procuro palavras encontro advérbios e verbos que se contradizem em consoantes e vogais que não se tocam no quadro negro de tinta verde o giz é transparente o pronome é singular e pessoal o substantivo feminino é de treze letras e na ausência da pontuação sua penitência é a solidão.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

há cá uma vela... pequenina... e há uma chama... pequenina... delas sustento-me... em chamas que nem queimam nem ardem... nem por isso menos chamas... d’alma.

domingo, 25 de julho de 2010