quarta-feira, 30 de junho de 2010

sábado, 26 de junho de 2010







[foto-presente]
os nós nos nós que não existem

quinta-feira, 24 de junho de 2010







*
pudesse escrever escrevia
pudesse falar falava
pudesse cantar cantava


pudesse voar voava


pudesse gritar... não gritava


pudesse segurar segure


pudesse sentir sinto
pudesse saber sabia
pudesse querer quero


pudesse amar
amava


pudesse fechar abria
pudesse sonhar acordava

pudesse chorar
sorria


pudesse lutar lutava
pudesse pintar pintava


pudesse escolher escolhia


pudesse brilhar brilhe


pudesse ouvir ouço
pudesse esperar espero


pudesse esquecer lembrava


pudesse abraçar
abrigava



pudesse beijar
tocava


pudesse morrer
preferia viver

quarta-feira, 23 de junho de 2010

segunda-feira, 14 de junho de 2010

domingo, 13 de junho de 2010







[foto-presente]

entro nesta casa como se fosse pela primeira vez. do cenário vejo paredes limpas. procuro a poltrona de dois lugares e sento-me. a olhar quadros reconheço-me em alguns deles. a música, som em silêncio de vozes, anuncia sua chegada. trazes sorrisos e flores. margaridas. abrigo consentido no corpo que conjuga reciprocidade e cumplicidade. tempo a ser feliz.
fácil criticar, acusar, apontar dedo em riste... fácil cortar voz... ou castrar... mais fácil ainda ignorar. difícil é calar-me. ainda que em silêncio, acredite, estou falando e reivindicando aquilo que julgo ter pleno domínio sobre quem sou, sobre tudo que acredito e sinto.

¬minha boneca







[imagem net]

porque a boneca ficou lá… sozinha… por um bom tempo… coitadinha… torcendo pra que o armário se acabasse em traças e cupins… alguém disse “ser lixo de si mesma…” seu vestido, de azul-turquesa… de tão sujo… mais parecia verde… e ela não gostava de verde… seus cabelos não eram mais loiros… o tempo do armário os deixou vermelhos… na face… duas bolinhas vermelhas denunciavam vergonha… uma tristeza infinita… e o coração… vazio… vazio de esperança… de felicidade… vazio de amor… coitadinha… ela sofria… alguém também disse que se boneca não fosse… “seria trapo humano… consumida sem culpa…” também houve quem apostasse na recuperação… bonecas tendem a ter lojas de bonecas… hospitais de bonecas… alguém passou… estendeu as mãos… e a boneca… coitadinha… aceitou… de mãos dadas… ela passeou por bosques… sobreviveu aos leões… às gazelas… deu volta no lobo-mau… não comeu as maçãs da cestinha da bruxa… e o príncipe até passou em seu cavalo branco… ela não o reconheceu… e ele seguiu adiante… a boneca… coitadinha… não queria um parceiro… ela precisava de um amigo… e tinha… depois… ele emprestou seus olhos a ela… e o céu… aquele… passou a ter uma estrela que brilhava sempre que ela precisava… seus olhos estavam lá… no céu dela… por muitas vezes ela fechou os olhos… fechou as mãos… e pediu: “me re-escreva” e ele… de homem… se fez Poeta… e não sei bem como… re-escreveu uma história pra aquela boneca… até que um dia a boneca pediu asas… e ele disse: “vai ter de aprender a cair algumas vezes…” e sempre que acontecia… ele estava lá a ampará-la da queda… a impedi-la de cair no abismo… até que a boneca… coitadinha… desisitiu de voar… voar era um dom… que ela… boneca… não tinha… um dia… não se sabe como… ela achou que ele tinha soltado suas mãos… e arriscou em escrever… depois de muito tempo… sua própria história… teve medo… precisava da aprovação dele mesmo que fosse pra reprová-la… fez-se silêncio… ela ousou e apostou em estar usando a tinta adequada ao papel de carta… ela acertou na escolha… e de boneca coitadinha… feia e maltrapilha… no seu vestidinho azul-turquesa… hoje… novinho… agora ela voa pelo céu… livre… livre… nas asas de quem a acolheu… leva no olhar um brilho… que ela aprendeu a conhecer… esperança! no peito… ainda velhas canções… nenhuma dor… coragem! na intimidade… de boneca… uma nova mulher… uma linda mulher… que entende de desejos… e sobretudo… sobretudo de magia e de oceanos… de felicidade… de amor… de amor de amigo que se faz num simples estender de mãos… e braços… nos abraços… de quem recebe… e acolhe no peito… um grande amor… mas não dessa vida… que ela como boneca… sabe.

quinta-feira, 10 de junho de 2010








há dias que viver não justifica. há outros que viver implica em resistir. e há dias que viver deixa de ser um estado líquido para se tornar sólido. sólido em convicções que justificam resistir. há dias...

terça-feira, 1 de junho de 2010

¬doce convicção








podemos parar... e podemos prosseguir... podemos parar... parar de sentir... podemos des'sentir. e podemos prosseguir... parar a sorrir... e parar... de prosseguir. parar a sentir des'sentir... e podemos parar a desistir em prosseguir... a opção é uma doce convicção...

domingo, 30 de maio de 2010








há certezas que prendem asas. há dúvidas que possibilitam o voo. e há convicções que cegam palavras. há dias que viver não justificativa. há dias que viver explica. não pergunte que dia é hoje. alguém disse ser domingo. acredito. o chão que sustenta é o mesmo que desequilibra o sentido e faz da linguagem imprópria, um porto, não seguro, de pontos-perguntas... no cerrar de olhos, ouvidos e boca. o olfato esconde medos que já não cabe mais fugir. a ausência do discurso inédito traz a cor da oração sofrida em tempo perdido. em face única a coragem é mais forte que qualquer medo. o tato delata, obediente, respondo meu nome ao grito silencioso e me confesso, contradita. porque é domingo. porque alguém disse e acredito.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

asas de mim

v
o
a

leve essa saudade pra bem longe de mim lá no alto, bem alto, ao cegar dos olhos solte-a talvez sobre o oceano talvez sobre a terra infértil e me traga um sorriso um beijo ou um abraço e me faça feliz de modo a querer morrer pra renascer em asas de mim...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

¬Antoine de Saint-Exupéry










"As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém... Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto... e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!"