quinta-feira, 29 de abril de 2010









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leve


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sorriso

terça-feira, 27 de abril de 2010

teria nascido ana. ana maria. ou ana clara. ou ana, simplesmente. teria crescido ana. ana beatriz. ana paula ou ana, simplesmente. teria amado um homem chamado qualquer. ou pedro. ou marcos. ou qualquer, simplesmente. teria sido feliz. teria. se tivesse nascido ana, qualquer.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

¬são[me]







[imagem net]

em Jorge, que é o são do dia, liquidifico pronomes oblíquos na ilusão do anonimato e assino a petição com meu nome próprio de ti. no dragão, que pouco sei da história e no Guerreiro que te veste a [a]rmadura, te oro o Pai do 'pão nosso de cada dia' e dispenso a bênção da manteiga que reside na tentação... já não me lembro [de mim] e não me esqueço [de ti]... já nem conto os dias, nem os passos sem ti... tua espada é tinta usada em tuas palavras... feito razão... feito pássaro [de mim] e só então... passareio em ti.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

¬à fórceps








*

escrever é um martírio, umas vezes, necessário. há tempo de calar-me e há tempo de denunciar-me. qualquer tempo, no meu tempo. bebo água no coco e resisto à cafeína. piano de mim que te faço de voz e aborto a rouquidão que me nega a defesa no ônus da culpa, que não me desculpa, mas me salva do abono disfarçado. embrulho verbos em laços de fita perfumados e imploro o discurso. teu silêncio sinaliza a oratória e me devora. se devo ler nas entrelinhas, ensina-me. se da linguagem involuntária nascem os gestos, mostra-me. desfaça o laço, abra teu presente e decifra-me. em margem de acertos, pontue finalmente a retórica. dá licença.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

¬palavras[te]









no outono dela era prim[a] a vera dele... uma palavra... o amor... a um... a duas mãos... a dois olhos... num corpo... num só querer... num só pensar... um cheiro... um não beijo... um não contato... um desejo, único... um amor solitário... um sorriso a dois...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

¬livro-me









és [testa]mento[me] no livro de páginas cont[a]das... uso verbos e advérbios, solto palavras, prendo outras... [a]trevo[me] dos sentidos... abro parênteses a pronomes e camuflo nomes... fecho[te] em confissões... a caneta é marca em textos... desenho imagens, umas vezes coloridas, outras[p&b]... rabisco[te] homem... acendo[me]mulher... em vida de razões... folheias[mim] e achas[te]. procuras[me] mas é [ti]que encontras... porque já não sou eu, sou[si]. oro em santo, ben[diTo] pacífico [a]tlântico ao Francisco, o Assis e rogo à santa Rita, em Cássia que [te]sejas feliz e que a graça em [m]aria conduza essa história... em páginas de livro[teu] que escrevo com a [tua]tinta meu corpo.



'vem comigo no caminho eu te explico' e fui.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

¬trago-te







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trago[te] peito [a]dentro, na saudade que sustenta a ausência permanente. trago[te] em doces lembranças de um passado presente [re]cente. trago[te] e bebo[si] em fonte...

domingo, 28 de março de 2010

¬era um conto









E era só um encontro, numa tarde... talvez, um beijo... na face, desentendido, leve tocar de mãos... muitas lembranças daquele homem, daquele sentido... leves lembranças... uma calça, uma blusa, um casaco, um sapato... no cabelo, uma flor, margarida... as 17 horas de uma tarde de sexta-feira... pontual.

Sabia que atrasos eram imperdoáveis.

As 17, mas antes das 17... sempre antes... mesa lateral do canto direito, lembrou-se, a mesma de sempre. Sentou-se. Ajeitou os cabelos. Pediu ao garçom que aguardasse um pouco. O relógio denunciava o atraso. Alguma música tocava... em viagens passadas... os sonhos... as loucuras... era só um encontro, de despedida. Mais um, entre alguns... apostava. Leve arrepio na alma... um sopro suave, a margarida de seus cabelos cai... entre os dedos, agora, brincava com ela... envolvida às lembranças, não se dá conta do tempo... olha o relógio... 17 horas e quarenta e quatro minutos... Pede uma bebida, procura o telefone, nenhuma chamada perdida... sabia que ligar, não poderia. Bebida à mesa, servida, em coquetel de frutas... prova os lábios... lábios que ele por tantas vezes bebeu... leve sorriso, escondido... sorrir era mesmo um desafio... se acostumara a ser triste... embora ele cobrasse... coisas sentidas... passado presente... lembranças perdidas... tempo onde ser feliz era regra... exceção ao domínio, ao poder... simplesmente mulher... era assim, admitia. Aprendera a ser educada, a falar baixo, a controlar os impulsos... aprendera também a ser feliz, perto. Na presença. Ausência era solidão. Fantasma. Sonho. Desilusão. Copo seco... e a margarida... cada vez mais... encolhida... procura seu telefone... nenhuma chamada perdida... desassossego... de alma, perdida. Se faz algumas perguntas. Nenhuma satisfaz. Outra bebida. Outro copo, cheio e seco. Fortes lembranças... o primeiro encontro... quem chegou primeiro... nunca se entendiam a respeito... uma vezes cedia... outras vezes esquecia... que cedia... assim, para o respeito e para os limites impostos e tão bem delineados. Sem cobrança... na hora marcada e sem perda de tempo... em tempo cronometrado... a felicidade anunciava a chegada de bons momentos... do romance...

Nada mais além... e a margarida... cada vez mais... encolhida... tempo corrido... tempo passado... leves e doces lembranças... a linguagem era em códigos... apelidos... era só um encontro... de despedida... outra bebida... outro copo vazio... no telefone, nenhuma chamada... perdida... 21 horas e quarenta e quatro minutos... lembra-se do número quatro... olha a margarida, encolhida, sem vida... pede a conta.

Despe-se e olha-se no espelho... na alma... leve desconforto... olha o telefone pela última vez e... nenhuma chamada perdida. Não dorme, cama rola... cama sobe... e desce... na madrugada o telefone toca... em leve arrepio da alma... em leve sopro de despedida... a vida... desfez-se.

Agora era só a margarida... e muita saudade.

quinta-feira, 25 de março de 2010