sexta-feira, 8 de agosto de 2014

retenho-me na imagem... entre ruínas, é possível encontrar alguma beleza, embora compreenda que minha visão não seja uma característica universal.






[ft celular]

estou cansada. cansada de dar voltas à paisagem dos afetos em busca de um abraço. ou uma palavra, qualquer, que me sirva de consolo. ou abrigo. cansada de adiar a partida de um lugar que nunca me pertenceu. cansada de mendigar atenção, simpatia. de ser tinta. invisível. de ter de encarar de frente um mundo onde a fantasia prevalece como chamariz, enquanto a minha realidade só conhece a felicidade pela transparência. cansada de ser preterida em detrimento de uma palavra, ou muitas, ou todas, que não sei usar, por pura falta de habilidade. o que não me torna pior, nem menor, do que ninguém. mas que é o que fica e sinto. sempre à margem de uma poesia que não sei escrever. ou uma paisagem que não sei descrever. cansada de ser cúmplice de minha própria nostalgia. cansada de insistir num verbo de ligação que só conjuga o desprezo como pronome de tratamento, enquanto sou obrigada a assistir, calada, a valorização de todos os outros. hora de partir. ainda que atrasada. e de não voltar nunca mais aqui. levo comigo tudo que aprendi, porque me pertence, e quanto a isso ninguém pode fazer nada, nem a favor. nem contra. adeus.

3 comentários:

  1. "Let it go!" sempre é difícil, mas quem lucra somos nós mesmos.

    Um beijo, Teh!

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  2. tanta nostalgia!

    o sol brilhará, amanhã.

    deixo um sorriso e não digo a palavra que terminou o seu texto.

    nunca ou raramente a digo...

    :)

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  3. Volte, porque eu aguardo por si, para lhe dar um abraço.

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