Inauguro a folha em branco, e ensaio palavras que me façam experimentar a leveza de um dia de calmaria... e escrevo. Para tentar me livrar de você. A lucidez chegará com as frases, emancipada pela última esperança que me resta. Desenho imagens, e de repente, faço parte da paisagem.
O frio, tocando a alma, faz estremecer todo o corpo de dor. Nenhuma palavra tem o poder da coesão, ou, do convite à reciprocidade. Nunca foi uma troca, ou uma relação. Eu falava, eu perguntava, eu respondia. Eu, sozinha, era feliz. E infeliz. Todos os sentimentos iam do pior ao melhor, no menor espaço de tempo. Eu preenchia. Eu também esvaziava. Eu morria. E também vivia. Eu sorria. Eu chorava. Eu. Não egoísta. Não egocêntrica. Eu deserta.
Um pronome solitário num contexto asfixiador. E um vocabulário à margem da compreensão do afeto.
Quanto mais me aproximava, mais me afastava, Quanto mais amava, mais era desprezada. Quanto mais me entregava, mais era invisível.
Ainda agora, quanto mais escolho palavras para exorcizar sua presença de mim, mais você me invade. Mais o ar se torna condensado. E tenho a sensação de que vou sufocar. Eu respiro. Eu perco ar. E desisto. De escrever.
quase uma confissão, ou não!
ResponderExcluirtão somente um estado de alma!
eu gostei muito do texto.
mas, apenas não concordo com o seu terminus.
deixo um beijo
;)
Não desista de escrever, porque a sua alma reclama por palavras.
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