sábado, 30 de agosto de 2014







A correria dos dias. O tempo atropelando as horas. A vida quebrando ponteiros. O vento passado a frio. E seco. A tinta escorrendo pelos dedos. E o relógio esmagado pela urgência. Eu não te amo. Nem amo o cheiro da tua pele. Ou o tom da tua voz. Não amo tuas palavras de acusação. Nem as de defesa. Ainda menos tuas convicções. Não amo o leito que te guarda os sonhos. Ou os desejos. Não amo nem mesmo o pincel que esboça os primeiros traços daquele desenho que, entre uma pausa e outra, você deixa escapar, até como fuga de um pensamento que você nega, com bravura. Eu não te amo. Nem o papel que recebe covardemente o grito abafado da tua consciência. Não amo! Também não amo teus argumentos baseados na clausura de um mundo caótico que configura na história contemporânea. Não amo nenhuma das tuas decisões. Nenhuma! Não amo a paisagem que visita tuas manhãs de sábado. Nem o olhar que traduz poesia no lugar de meras imagens. Não amo tuas melodias preferidas. Não amo teu corpo como abrigo. Nem mesmo a luz que emana de você. Ou a tua sombra onde me escondo por tanto te amar, não te amando. Não amo!

3 comentários: