terça-feira, 3 de janeiro de 2012









eu esperei. confiei e sorri. pelo sinal que podia ser da cruz ou da fumaça. da bênção ou do inferno. pela palavra que pudesse me lembrar das asas e do voo perdido na realidade de um mundo que não me cabe mais. qualquer palavra servia. qualquer dela. verde, lilás ou amarela. preta ou vermelha. sublinhada ou entre aspas. qualquer palavra. explícita ou implícita. benigna ou maligna. metafórica ou metonímica. apofática. ou não. o corisco que fosse! cansada de esperar gritei tua letra: 'L' de luz. em qualquer lugar do mundo, se fosse minha, ela se acenderia. encontrei-a, mas de surda, não me ouviu. de cega não me viu. de fria, me ignorou e seguiu seu caminho. não era minha. e eu fiquei só. com as mãos estendidas em súplica a amparar as lágrimas na dura travessia do ano. lamentando o azar de não ter nascido poesia. ou poema. vogal inábil, trema em desuso, consoante muda. fragmentos de epee presos nas cicatrizes de um tempo a contar subtraindo. sem a graça e a beleza dos verbos a pintar [de azul] os beijos dos versos. gramática depoente, para sempre, da página em branco, desisto da espera. e do encontro.

2 comentários:

  1. Todos nós esperamos vezes sem conta pela palavra, pela luz, pela poesia...no seu caso, pouco ou nada tem de esperar porque as suas palavras, cada vez que "nos" faz um comentário, são bonitas... as fotos que tira e posta no seu blogue, belas... e a luz que utiliza, quer para tirar as fotos, quer para se inspirar, seja ou não com flash, deslumbrante...
    Posto isto, para quê o lamentar-se de não ter nascido poesia ou poema se nos encanta?

    Bjs
    Carli

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  2. Uma procura de antíteses... um passeio pelas ideias contrastadas... uma desistência resignada, mas não convencida.

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