quarta-feira, 2 de novembro de 2011

¬sinais de pontu[ação]








e foi fracassando na tentativa inútil de salvar os parênteses à explicação que me descobri inapta a conviver com a ordem da exclamação. quanto mais procurava a origem das causas nas pontuações que me apresentavam, mais difícil e utópico se tornava o encontro com o ponto final. a indignação suprimia os espaços vazios e obstruíam a imaginação. perdida na entoação ascendente, nenhum travessão indicava a mudança do interlocutor, nem colocava em evidência a frase que me libertaria da linguagem reticente. sem saída, as aspas prevaleceram em pares. escrever foi a alternativa que encontrei para sobreviver. atravessei rios e mares, dancei na chuva, desenhei vírgulas e distribuí beijos. adotei dois gatos e perdi a conta das baratas que matei. traduzia em parágrafos toda a saudade de uma vida deixada à margem da pauta sem escorrer uma lágrima que fosse, ou uma dor que sabia ser proibida expressar. aprendi a chorar sorrindo e nunca mais desaprendi. a vida corria arrastada e a cada ponto-parágrafo renovava minha esperança e minha fé. saí de uma primavera para conhecer os dois pontos do verão. depois, vieram o outono e o inverno, novas primaveras e novos verões. e foi no outono que a entoação descendente livrou-me das aspas. maio nascia em seu primeiro dia trazendo reticências. uma nova vida para uma vida velha. hoje, quando folheio aquelas páginas, vislumbro um sorriso diferenciado pelo brilho de meu olhar. receita? não há. compactuo com a hipótese da importância do ponto e vírgula ser favorável à aprendizagem, mas não desprezo a linguagem do amor, da fé e da disciplina como fonte inesgotável de inspiração. e respiração. 

4 comentários:

  1. …abrir parênteses nunca interrompe o período para dizer que, o Outono se entremeia num segmento sazonal, um período em que o poema sai da concha, fazendo dos pássaros um lembrete de novas Primaveras. Modulações de novos verões, absolvidos p’las aspas vazias e despidas nas páginas de qualquer hipótese.

    Nesta sequencia o ponto e virgula será sem dúvida a respiração do poema . Parente dos fiapos das árvores descen-dentes... o belo nas fugas e no tempo… e depois…bom depois temos o verbo. Esse, o tal, que une o sujeito ao predicativo claramente num en-canto diferenciado…

    ...e pronto..e ponto final...
    Assim...se respira....

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  2. Há peitos que se abrem para expor a frescura de da libertação!... Há peitos que se abrem para ajudar a abrir outros peitos onde cada coração deve ser mais do que um poderoso músculo; o mais delicado sopro que murmura leves lufadas do que nem sempre se consegue ouvir… até ser dito!... Eu não gosto de pontos finais e as reticências são três pontos atentos a todas as direcções sem fim à vista, sempre prontos a autorizar a próxima saída para entrar no próximo nível!... Há sempre o próximo nível, a aprendizagem e as reticências que se adoptam, admiravelmente, pela pontuação que revela sentimentos a transmitir e a entender!... Felizes daqueles que exclamam, que admiram e tão admiráveis são as Almas que suspiram, que riem e que choram… e nunca abusam do ponto final como trinco definitivo de uma fechadura dependente da porta!... Admiráveis as reticências e as exclamações de quem aprendeu a manifestar o que lhe vai na Alma, pois são essas Almas que libertam os pontos, que faz do ponto final e parágrafo um recado de “vou ali e volto já”. Mas estes são outros finais sem pontos, com os pontos em ponto de esperar pacientemente por outros pontos que jamais serão finais!... Por Ex: … há sempre algo mais que nos deixa na expectativa, no alenta a Esperança de nos deixar felizes… exclamando… admiravelmente!...
    E você, cara Epee, parece ter-se livrado dos pontos finais, adoptando outros pontos que permitissem a continuidade e progressão no melhor dos sentidos!... E isso, cara Epee… é ADMIRÁVEL!...


    Abraço

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  3. Li-te a sorrir com um interesse crescente e depois tive a certeza que condensaste tudo nos dois últimos parágrafos!
    E voltei a sorrir.

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