sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

¬força[me]








quando não frequentava a academia ou porque não tinha tempo, ou porque me faltava disposição, caminhava. não precisava de um jardim, ou de uma avenida, só da vontade. a cada passo, uma certeza, de que mesmo se caminhasse em círculos o caminho não era o mesmo. nunca era. suava o corpo numa tentativa desesperada de lavar o espírito. exercitava o físico, mas a alma que lucrava. incorporava o espírito da disposição e da luta. exorcizava dúvidas e me sentia renovada. minhas pernas não formigavam tanto quanto minha vontade de vencer toda e qualquer dificuldade que fosse. era meu desejo de superar a tristeza, os limites e as tantas paredes que me cercavam, que formigavam dentro de mim, inteira, e imperavam. vencia o cansaço com disposição. vencia a sede com meu suor e lambendo os lábios deixava nascer em mim mais sede ainda. uma sede de coragem. uma sede de vida. uma sede de harmonia. saciada, anoitecia. porque sempre anoitecia para amanhecer e [re]começar tudo outra vez. 

[de um tempo passado à memória que precisa ser lembrada
e exercitada no presente]

3 comentários:

  1. tanta ''bravura'' nestas palavras. desejei-as todas aquelas que escreviam a força e a vontade!!

    um beijo

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  2. a fotografia, bonita e elegante. os pés, claro...

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  3. "Suar o corpo para lavar o espírito..."
    Gostei imenso desta frase feliz de conteúdo.

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